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Correio da Manhã

Portugal
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“Tinha os ferros marcados na cara”

Há anos que os dois vizinhos discutem e trocam insultos por causa de um caminho comum aos terrenos de que são proprietários, em Lever, Gaia. Ontem, às 10h15, o conflito foi violento e o homem de 53 anos agrediu brutalmente Carlos Santos com um ancinho. A arma perfurou a cara da vítima junto ao queixo, provocando ferimentos graves.
16 de Janeiro de 2010 às 00:30
Maria Dores estava muito transtornada com a violência com que o marido foi agredido
Maria Dores estava muito transtornada com a violência com que o marido foi agredido FOTO: Joana Neves Correia

O homem de 66 anos teve de ser transportado para o Hospital de Gaia. "Tinha duas feridas perfurantes na face e foi encaminhado para a cirurgia", disse ao CM fonte hospitalar. O caso é considerado preocupante, mas o sexagenário não corre risco de vida.

"Apareceu aqui em casa com a camisa cheia de sangue e a gritar: ‘Ai, ai que não aguento’. Ele estava muito mal e com os ferros do ancinho ainda marcados na cara", disse ao CM, em pranto, a esposa da vítima Maria Dores, de 65 anos. "Ele tem um cancro na garganta e estou muito preocupada com o que isto pode causar", acrescentou.

O agressor foi identificado pela GNR de Lever, mas, como não houve flagrante delito, o caso vai agora ser participado ao tribunal de Gaia.

Carlos Santos dirigia-se a pé para o terreno na rua General Humberto Delgado, em Lever, quando se cruzou com o vizinho que seguia em cima de um tractor. "Ele começou logo a insultar o meu marido e a dizer que lhe fazia mal", disse Maria Dores.

Poucos minutos depois, já no terreno que gera a discórdia, Elísio abandonou as palavras e pegou num ancinho com o qual não teve pejo em ferir o vizinho. De seguida, fugiu, deixando Carlos sem amparo. A sangrar abundantemente, a vítima ainda conseguiu fazer um quilómetro a pé, até chegar a casa.

Nessa altura, ligou para a GNR que está agora a investigar os contornos do caso.

CONFLITO ESTÁ EM TRIBUNAL

O conflito entre Elísio e Carlos já dura há muitos anos. O caminho que dá acesso aos terrenos de que são proprietários motiva a discussão que, inclusive, já chegou a tribunal. "Estava a haver demasiada discussão e o meu filho disse que o melhor era ir para tribunal", disse Maria Dores, que trabalha no Centro de Saúde de Lever.

"O meu homem tem feito uns cortes no caminho para a água poder escorrer e ele está sempre a implicar com isso", contou.

A GNR, aliás, já foi chamada ao local por mais do que uma vez para mediar o diferendo entre os vizinhos. O caso mais recente é o da construção de um portão à entrada do caminho. "Queríamos evitar a entrada de toxicodependentes, mas ele opõe-se à obra", disse Maria.

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