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Correio da Manhã

Portugal
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TIO VOLTA À ALDEIA

João Cipriano voltou a Figueira. O tio da menina, desaparecida há 26 dias e presumivelmente morta, esteve ontem, ao princípio da tarde, na aldeia onde morava Joana, acompanhado por cinco elementos da Polícia Judiciária. No pouco tempo em que permaneceram na aldeia, os polícias e o detido estiveram num terreno próximo do canal de rega da localidade, ao que tudo indica seguindo uma nova pista sobre a localização do corpo da criança.
8 de Outubro de 2004 às 00:00
 A PJ regressou à zona a sul de Figueira, onde já tinha estado há duas semanas e levou João Cipriano
A PJ regressou à zona a sul de Figueira, onde já tinha estado há duas semanas e levou João Cipriano FOTO: Carlos Almeida
A presença de João Cipriano foi fugaz e discreta e a PJ tudo fez para que o homem não fosse visto pela população. No entanto, houve quem o tivesse visto no local, tanto mais que já não é a primeira vez que as autoridades ali efectuam buscas.
PROCISSÃO AMANHÃ
De olhos nas buscas, a aldeia vai preparando também a procissão de velas em homenagem à pequena Joana, marcada para as 21h00 de amanhã. Na celebração, organizada pelo pároco Domingos Costa, não deverão estar os familiares do padrasto da menina, para quem Joana continua viva.
“As crianças da Figueira querem todas participar. Muitas sofrem com o desaparecimento da Joana”, afirmou ao CM a mãe de uma colega da menina desaparecida. “Já não sei no que acreditar, mas tenho esperança de que ela esteja viva. Oxalá que as nossas orações possam ajudar.”
No entanto, e apesar de muitos partilharem a convicção de que “a Joana está viva e que pode ter sido vendida”, na Figueira há quem já tenha perdido a esperança de voltar a ver a menina.
Para esses, a morte da criança é uma certeza e, desde a detenção da mãe e do tio de Joana, a única dúvida é saber onde está o corpo. Na terça-feira, as buscas da PJ tiveram novo capítulo, mas o mesmo resultado. Segundo populares, a atenção dos inspectores virou-se, desta vez, para um “caminho velho na zona das Sobreiras“.
Trata-se de uma área isolada, não muito longe da aldeia, com várias casas em ruínas e vegetação muito densa. Na altura da detenção, Leonor Cipriano, a mãe de Joana, terá dito à PJ que o corpo da filha estaria num local semelhante: algures no fim de um caminho velho, com silvas.
Mas, e tal como o CM noticiou ontem, um telefonema feito para a irmã do padrasto de Joana, colocava a menina muito mais longe, na Austrália. A PJ nada diz sobre o valor da chamada telefónica mas, para a família da criança, a hipótese de Joana estar, afinal, viva, é um sinal de esperança e a mais provável.
“Não acredito que ela esteja morta. Se estivesse, a Leonor já tinha dito onde estava o corpo. É tudo um grande mistério”, disse Paulo Guerreiro, o pai biológico da menina. Anabela Cipriano, irmã de Leonor e João, também acredita que a sobrinha está viva: “Prefiro crer nisso. É preferível a estar morta.”
Já o padrasto de Joana, com a mulher presa e a enteada desaparecida, tem as mãos sujas de óleo, o dia cheio de trabalho e cada vez mais dúvidas. “Já não sei no que acreditar...”
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