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Correio da Manhã

Portugal
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TIREM-NA DE JUNTO DOS PAIS

A madrinha de Felisbela, a menina baleada no Pendão, em Queluz, não tem dúvidas: “É melhor tirarem-na de junto dos pais, pelo menos temporariamente, porque ela anda muito nervosa e agressiva”, alerta, referindo que no passado domingo, quando a acompanhou ao Hospital de Santa Maria, a criança bateu-lhe. “E bate em toda a gente que lhe quer bem.”
25 de Junho de 2003 às 00:00
Fátima Gouveia, vizinha da menina, confirma que “a princesa” vive momentos menos bons na companhia dos pais, José Dias e Ana Florbela Oliveira.
“Uma assistente social até já foi a casa deles, há uns dias, e chamou-lhes a atenção, pois o pai da menina mostrou-se muito nervoso. E aconselhou-o a tirar as machadas da cozinha”, conta Fátima Gouveia, revelando que há muito que o casal recebe apoio de assistentes sociais e psicólogos.
“A psicóloga do infantário da Felisbela já falou com eles algumas vezes”, salienta a vizinha, referindo que apesar do apoio e ajuda recebida nada mudou na vida de José Dias e Ana Florbela Oliveira. “Há sete anos, quando se juntaram, dizia-se que ele lhe batia. A verdade é que sempre foram muito agressivos um com o outro”, lembra a madrinha da criança, Fernanda Lourenço.
Também Fátima Gouveia diz que a vida do casal nunca foi pacífica.
“Ele bebe e batia-lhe. Ela, quando saiu de casa, apresentou queixa na Comissão de Protecção de Menores da Comarca de Sintra. E ele só acalmou quando a mulher saiu de casa. Aí sim, cuidou muito bem da menina: dava-lhe a alimentação... Estavam sozinhos. Portou-se muito bem. Agora que ela regressou voltou a beber. Diz que já que tem a mãe da menina em casa, ela é que tem de tratar da filha.”
Fátima Gouveia reside no andar por baixo do casal. Ouve constantemente as discussões que enervam Felisbela. “Ela começa a gritar por mim e só quando a trago para minha casa é que se cala e acalma.”
“Mas a verdade – prossegue – é que a menina anda muito nervosa e excitada com tudo isto. Eles [pais] têm uma princesa e não sabem tratar dela. Têm de ter consciência de que têm uma filha”, considera.
A madrinha, Fernanda Lourenço, lamenta que a situação tenha chegado a este ponto. “Calámo-nos [amigos e vizinhos] durante muito tempo na esperança que as coisas melhorassem. Mas ‘burro velho não aprende línguas’”.
“É claro que o melhor era a menina ficar com os pais, mas não nestas condições”, alega Fernanda, disponibilizando-se a recebê--la.
Contactado pelo CM, José Dias recusou prestar qualquer esclarecimento.
VIZINHOS JÁ SE QUEIXARAM
A denúncia contra os pais de Felisbela, apresentada, anteontem, por Fátima Gouveia na Comissão de Protecção de Crianças e Jovens em Risco da Comarca de Sintra não foi a primeira; vários vizinhos do casal já haviam apresentado queixa e alertado aquela entidade para o drama familiar vivido por Felisbela.
As Comissões de Protecção de Menores foram criadas sob dependência dos Ministérios da Justiça e da Segurança Social, para prevenir ou acabar com situações susceptíveis de afectar a integridade física e/ou moral da criança ou jovem ou de pôr em risco a sua inserção na família ou comunidade. Desta forma, as comissões, que estão espalhadas pelas diversas comarcas do País, são entidades que recebem as denúncias e averiguam a sua veracidade, recorrendo a outras organismos como a escola frequentada pela criança em causa, a PSP e a GNR locais, o tribunal e o Centro Regional de Segurança Social.
Para tal, dispõem, nomeadamente, de um médico, um psicológo, um magistrado do Ministério Público e representantes das autoridades policiais e dos serviços locais do Ministério da Educação, entre outros.
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