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Correio da Manhã

Portugal
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TIROS MORTAIS PREOCUPAM INSPECTOR DAS POLÍCIAS

Este ano já morreram seis pessoas na sequência de disparos das forças policiais, sendo que três das vítimas eram ocupantes de viaturas. Este número foi considerado “preocupante” e motivou críticas à forma como as forças de segurança estão a utilizar as armas, por parte do inspector-geral da Administração Interna, Rodrigues Maximiano.
18 de Novembro de 2003 às 00:00
Este responsável falava no seminário internacional sobre o tema ‘Uso de Armas de Fogo pelos Agentes Policiais’, que começou ontem e termina hoje na Escola Prática da Guarda Nacional Republicana, em Queluz, nos arredores de Lisboa.
O fórum visa o “confronto de experiências” entre os responsáveis dos vários países que nele participam – Inglaterra, Irlanda do Norte, França, Alemanha e Espanha – para além de Portugal, estando a organização a cargo da Inspecção-Geral da Administração Interna (IGAI).
Para o inspector-geral, os seis casos ocorridos este ano, só por si, indiciam que “a prática policial em Portugal apresenta algumas dificuldades”. Para Rodrigues Maximiano seis vítimas em dez meses é muito, já que, no mesmo período, na Inglaterra só quatro disparos foram mortais.
Ainda em relação a Portugal, dados oficiais indicam que no ano passado as forças policiais atingiram mortalmente cinco pessoas e em 2001 outras três.
Mais polícias para enfrentar situações delicadas foi uma das soluções apontadas como possíveis para não utilizar as pistolas, indicou o inspector-geral. Com mais agentes talvez tudo se pudesse “recorrer apenas ao uso de bastões.”
No entender do inspector, em Portugal devia ser incentivada a utilização de armas alternativas não letais, nomeadamente ‘sprays’ e imobilizadores, tal como acontece noutros países.
A forma como é feito o ensino e o treino do uso da arma de fogo e a discussão do regime jurídico-normativo do uso de arma de fogo são outras das preocupações de Rodrigues Maximiano.
PERSEGUIÇÕES FATAIS
ZAMBUJAL
Um jovem, de 20 anos, foi baleado na cabeça, a 24 de Março deste ano, no Bairro do Zambujal, Amadora, por agentes da esquadra de Alfragide. Numa operação stop, a vítima que conduzia uma viatura não obedeceu à ordem de parar da PSP e após perseguição foi baleado mortalmente.
ALMEIRIM
Após uma perseguição de 25 quilómetros, entre Alpiarça e Santarém, a 26 de Junho, um homem foi morto por um militar da GNR de Almeirim, depois de uma troca de tiros. A vítima seguia na caixa de carga de uma viatura comercial, que estava em plena fuga das autoridades.
SACAVÉM
A 6 de Julho, um rapaz, de 14 anos, foi abatido a tiro por agentes da PSP de Sacavém, quando assaltava uma viatura de mercadorias. O jovem fugiu no seu carro e após uma perseguição dos agentes policiais, estes acabaram por disparar provocando-lhe a morte.
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