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Correio da Manhã

Portugal
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Todos à míngua de água

Um terço da população mundial tem escassez de água. A conclusão é do Instituto Internacional da Gestão da Água (IWMI) que ontem apresentou um relatório sobre gestão global de recursos hídricos, na abertura da Semana Mundial da Água, em Estocolmo.
22 de Agosto de 2006 às 00:00
O encontro contou com a presença de mais de 1500 cientistas de todo o mundo, que aproveitaram a ocasião para apelar a uma mudança radical na gestão global dos recursos hídricos. Caso contrário, os especialistas temem que a população do planeta seja confrontada com falta de água daqui a 50 anos.
“Precisamos de mudanças radicais nas instituições e organizações responsáveis pela gestão dos recursos hídricos da Terra e de um modo muito diferente de pensar sobre a gestão da água”, disse Frank Rijsberman, presidente do IWMI, com sede no Sri Lanka.
Um dos principais problemas é a agricultura, nomeadamente nos países em desenvolvimento. De acordo com o relatório do IWMI, a agricultura é responsável pelo consumo de 78 por cento da água no planeta, bem mais do que a indústria (18 por cento) ou as lides domésticas e o consumo próprio (oito por cento). O instituto indica que, só para a produção de alimentos, é usada 70 vezes mais água do que para qualquer outra actividade.
“As práticas de gestão da água nos últimos 50 anos não servem de modelo para enfrentar a falta de água no futuro”, disse Rijsberman.
O relatório, que contou com contribuições de mais de 700 cientistas, aponta várias medidas para combater o que considera ser uma “catástrofe ambiental”, tais como a construção de mais reservas de água, a melhoria dos sistemas de irrigação e o desenvolvimento de culturas resistentes à seca.
Estas e outras propostas vão ser discutidas no encontro anual a decorrer até sábado na capital sueca. No total, são mais de 1500 especialistas em representação de cerca de 140 países e agências das Nações Unidas. Jaime Melo Baptista, do Departamento de Hidráulica do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, chamou ontem a atenção, na TSF, para o problema do desperdício de água nas sociedades actuais. “Entre a água que se vai buscar à natureza e a água que efectivamente se consome há 40 por cento que fica pelo caminho, sob a forma de perdas diversas, o que é uma situação inaceitável”, alertou. Em Portugal, as perdas ascendem aos 1400 milhões de metros cúbicos de água.
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