Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
9

TONEL APANHA 19 ANOS

A condenação de um indivíduo de etnia cigana a 19 anos de prisão, por homicídio, provocou ontem grande agitação no Tribunal de Leiria. Os familiares do arguido não gostaram da pena aplicada pelo colectivo de juízes e mal terminou a sessão desataram aos gritos dentro da sala de audiências.
22 de Novembro de 2003 às 00:00
“É uma injustiça. Ele tem dois filhos”, gritava a mulher do arguido, rodeada de um forte contingente policial. A mãe do condenado entrou num estado próximo da histeria e quando a polícia a tentou encaminhar para o exterior do Tribunal, alguns agentes foram apelidados de “racistas”.
J. Nascimento, de 33 anos, foi considerado culpado de um crime de homicídio e outro de tentativa de homicídio, praticados em Julho de 2000, à entrada do Centro Comercial D. Dinis, em Leiria.
Segundo o acórdão do colectivo, presidido pelo juiz Emídio Santos, ficou provado que o arguido disparou à queima-roupa sobre António Ezequial Oliveira, 37 anos, e Edmundo Saltinha, 65 anos.
O arguido é irmão da mulher que vivia com António Oliveira e terá agido por causa de um desentendimento familiar. Os disparos deixaram António Oliveira com deficiências e provocaram a morte ao seu pai, Edmundo Saltinha.
J. Nascimento, conhecido pela alcunha de “Tonel”, negou a autoria dos disparos em depoimento escrito. Como álibi, alegou que estava num café da Praia do Pedrogão quando ocorreu o crime. E apresentou um cunhado como testemunha, com o intuito de provar este argumento. Porém, o colectivo entendeu que a testemunha prestou declarações falsas e enviou uma certidão ao Ministério Público, para eventual punição.
“Ficámos com a convicção segura que foi o senhor a praticar os crimes”, afirmou o juiz-presidente. J. Nascimento estava acusado dos crimes de homicídio qualificado e tentativa de homicídio qualificado. Esta configuração foi alterada e o arguido foi condenado a 15 anos de prisão por homicídio simples e a sete anos por tentativa de homicídio. Em cúmulo jurídico, a pena ficou em 19 anos de prisão. A defesa vai recorrer.
O pai do arguido é cúmplice do crime, mas está a monte.
Ver comentários