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Correio da Manhã

Portugal
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TOQUE VALEU TIRO MORTAL

Um pequeno toque entre os espelhos de duas viaturas que circulavam na estrada que liga Pedrógão a Selmes, concelho da Vidigueira, foi o suficiente para que um dos condutores disparasse um tiro de pistola, atingindo mortalmente o outro condutor.
11 de Novembro de 2002 às 00:20
Antes do crime, segundo relatos da família da vítima, o homicida agrediu o filho do falecido, um miúdo de 11 anos, com um estalo e, pouco depois, ameaçou com um tiro um outro condutor, residente em Pedrógão, que seguia um pouco atrás na sua viatura.

Tal como o nosso jornal noticiou na edição de ontem, o crime deu-se por volta das 14h00 de sábado. Minutos antes, a vítima, Francisco Rosa, de 48 anos, que se fazia acompanhar pelo filho, tinha ultrapassado o homicida, um feirante de 41 anos, natural de Setúbal.
"Na manobra, bateu ligeiramente no espelho da outra carrinha (uma Ford Transit), porque a estrada é muito estreita. Foi um toque tão ligeiro que nem sequer deu por ele", disse ao nosso jornal o primo da vítima, António Rosa.

No entanto, segundo contou à família o filho de Francisco Rosa, o outro condutor começou a perseguir a vítima e quando este saiu para uma estrada de terra batida em direcção a uma pequena propriedade para tratar do gado, o homicida pôs-se a apitar o carro e a gritar.
"Nesse instante o meu irmão saiu da sua carrinha (uma Nissan) e perguntou-lhe: 'O que é que tu queres?' Depois deve ter começado uma discussão, o miúdo levou uma chapada do tipo e este disparou depois um tiro que lhe acertou no coração", explicou o irmão do falecido, José Rosa, acrescentado, em seguida, que "atrás vinha o Ricardo, um rapaz de Pedrógão, e também foi ameaçado com um tiro".

A GNR de Pedrógão deslocou-se rapidamente até ao local do crime, onde se encontrava ainda o homicida. Após a sua detenção, sem qualquer tipo de resistência, o indivíduo foi transportado para o posto daquela localidade. Junto ao edifício da Guarda concentraram-se pouco depois algumas dezenas de populares para manifestar a sua revolta.
O caso está a ser investigado pela Polícia Judiciária e o homicida é hoje ouvido no Tribunal de Cuba.

“O chico não fazia mal algum”

Após terem tomado conhecimento do homicídio, a população de Pedrógão e alguns dos familiares da vítima manifestaram a sua revolta junto ao posto desta localidade do concelho de Vidigueira.

Se os mais chegados da vítima exigiam a presença do indivíduo para fazerem "justiça pelas próprias mãos", os populares mostravam alguma revolta pelo sucedido. "Nós nunca sabemos o que nos pode acontecer. O Chico não fazia mal a ninguém e era muito bom moço. Deviam era de lhe fazer o mesmo", dizia um dos idosos que se encontrava no local. Durante toda a tarde de sábado o ambiente junto ao posto da GNR era de 'cortar à faca'. Por razões de segurança, segundo o nosso jornal apurou, a GNR foi mesmo obrigada a transferir o homicida para um "local mais seguro".

Durante o dia de ontem o povo já estava, no entanto, um pouco mais calmo. Concentrados numa pequena praça a poucos metros do posto da GNR, o homicídio era tema de conversa obrigatório entre as cerca de duas dezenas de pessoas que ali se encontravam.
Para todos eles, Francisco Rosa, agricultor, era "bom trabalhador e nunca causou problemas".

O primo da vítima, António Rosa, referiu, no entanto, que o crime deixou marcas profundas na criança. "Ele está abalado com a situação e pouco diz sobre o que se passou. Vamos ter que o levar a um psicólogo para que possa desabafar e ultrapassar os problemas", disse.

A vítima

Francisco Rosa, a vítima, era considerado entre os vizinhos como um homem pacífico e que nunca tinha tido quaisquer problemas fosse com quem fosse. Francisco Rosa era casado e era pai de uma jovem de 20 anos. O corpo foi transportado para a morgue do hospital José Joaquim Fernandes, em Beja.
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