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Correio da Manhã

Portugal
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Torres Vedras satiriza classe política

Milhares de pessoas encheram este domingo à tarde as ruas do centro de Torres Vedras para assistir ao desfile do “Carnaval mas português de Portugal”, este ano inspirado no desporto. Em ano de austeridade, a sátira e a crítica social não faltaram e deram vida aos dezasseis carros alegóricos do corso carnavalesco.
19 de Fevereiro de 2012 às 18:44
Cerca de quatro mil foliões fizeram as delícias do público que esta tarde assistiu ao desfile de Carnaval
Cerca de quatro mil foliões fizeram as delícias do público que esta tarde assistiu ao desfile de Carnaval FOTO: José Sena Goulão/ Lusa

Cerca de quatro mil foliões fizeram as delícias dos milhares de pessoas que esta tarde assistiram ao desfile de Carnaval. 

Palhaços, tenistas, cabeçudos e matrafonas não pouparam nos adereços e houve até quem se despisse de preconceitos, como Manuel Silva, de 56 anos que passeou quase nu pelas ruas da cidade, levando apenas uma tanga reveladora e duas folhas de couve a cobrir qualquer réstia de vergonha.

Uns metros atrás Cláudia e Júlio Grazinha, pai e filha de 37 e 67 anos, respectivamente, distribuíam boa disposição. Ele envergava o papel de Zé Povinho, o desgraçado que pede “aumentos de ordenados já amanhã”. Ela fazia uma caricatura de Pedro Passos Coelho e reclamava “subsídios de Carnaval para toda a gente”.

Vítor Gonçalves, de 53 anos e natural de Torres Vedras, já não se lembra da primeira vez que se mascarou, ainda pela mão da sua mãe. Este ano a escolha da fantasia de palhaço colorido e espampanante contou com uma inspiração extra.

“Para escolher esta fantasia tive duas inspirações: a primeira foi quando o Presidente da República disse que o dinheiro que recebia não chegava; a outra foi quando o primeiro-ministro disse que não dava tolerância de ponto na terça-feira de Carnaval”. E o palhaço sou eu!”, retorquiu.

Com menos vontade de festejar estão os comerciantes que por estes dias vão fazendo contas ao negócio.

“As pessoas passam em frente à banca e nem param para ver ou saber os preços. O ano passado já foi fraco mas este ano está pior. Tivemos uma quebra de cerca de cinquenta por cento”, revelou Carla Barata, 37 anos, proprietária de uma banca com artigos de Carnaval situada numa das ruas mais movimentadas.

“Este ano está pior. Falta dinheiro. Muitas pessoas levam meia dúzia de castanhas (1 euro), em vez de meia dúzia (2 euros), apesar de não aumentarmos os preços há seis anos”, concluiu Paulo Serrano, de 30 anos.

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