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Correio da Manhã

Portugal
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Tragédia: 32 mortos na Madeira (NOVOS VÍDEOS)

O ministro da Administração Interna, Rui Pereira, confirmou que o mau tempo na Madeira causou 32 mortos. NOTA: Envie-nos as suas imagens sobre o mau tempo na região da Madeira para portal@cmjornal.pt.

20 de Fevereiro de 2010 às 17:43
Carros foram abalroados no meio da tempestade
Carros foram abalroados no meio da tempestade FOTO: Gregório Cunha/Lusa

O governante e José Sócrates vão deslocar-se de imediato para a região. As comunicações com o arquipélago estão muito complicadas, as viagens de e para o aeroporto do Funchal estão suspensas e as autoridades sentem muitas dificuldades para resolver todos os pedidos. Inundações, derrocadas, estradas intransitáveis ou mar revolto são apenas alguns dos efeitos do mau tempo.

O governante adiantou que está a ponderar declarar o estado de calamidade pública para a região, podendo, assim, pedir apoios aos países da União Europeia para ajudar as vítimas do mau tempo que este sábado deixou um rasto de destruição na ilha da Madeira, uma tragédia que já superou a calamidade de 1993.

Para a Madeira, a bordo do avião Falcon, vão partir de imediato Rui Pereira, o primeiro-ministro, José Sócrates, o secretário de Estado da Protecção Civil, Vasco Franco, e o comandante Operacional Nacional, Gil Martins, além de oficiais de engenharia militar e técnicos da protecção civil, cuja missão é avaliar e reconhecer as necessidades.

Rui Pereira adiantou que está pronta a partir uma equipa de 100 homens, entre elementos do GIPS e dos bombeiros canarinhos, caso o Governo Regional da Madeira assim o entenda.

José Sócrates já falou ao telefone com o presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, prestando-lhe toda a disponibilidade para ajudar a combater os efeitos do mau tempo, que na manhã deste sábado deixou um rasto de destruição na encosta sul da ilha da Madeira.

GOVERNO VAI PROVIDENCIAR ALOJAMENTO E BENS MATERIAIS PARA VÍTIMAS

Alberto João Jardim anunciou que já deu instruções para contratualizar todos os alojamentos necessários para as vítimas do mau tempo que não podem regressar às suas casas. O presidente do Governo Regional da Madeira adiantou que o restabelecimento da corrente eléctrica está já a ser feito na zona Norte da ilha. No caso do Funchal, o regresso da electricidade vai demorar mais tempo, uma vez que a própria central foi inundada pelas águas.

O governante anunciou também que as zonas transitáveis, mas que estão ocupadas por materiais, vão começar a ser limpas com ajuda de máquinas dos serviços públicos e privado, entretanto requisitadas. Quanto às pontes que ruíram por forças das enxurradas, Jardim pediu apoio às Forças das Armadas para que sejam substituídas por passagens militares. No caso de pequenas pontes, estas serão transportadas por aviões C-130 da Força Aérea e as pontes maiores serão levadas para a Madeira por via marítima.

Além das mais altas individualidades do Estado português, Jardim foi também já contactado pelo presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, que lhe pediu que reunisse toda a documentação necessária para accionar os apoios no quadro europeu.

O presidente do Governo Regional da Madeira respondeu ainda a algumas críticas, sublinhando que 'se não tivessem sido feitas as obras de canalização, hoje não existia baixa do Funchal'.

68 FERIDOS NO HOSPITAL NÉLIO MENDONÇA

Até ao momento deram entrada nas urgências do Hospital Nélio Mendonça, no Funchal, 68 feridos, dois dos quais em estado grave e que já foram operados no serviço de ortopedia e um terceiro que já está também a ser sujeito a uma intervenção cirúrgica.

Pedro Ramos especificou que 'alguns casos são de hipotermia, pessoas que ficaram soterradas ou foram arrastadas nas enxurradas, pequenas feridas, a maior parte são situações de baixo risco que só vão ficar até domingo por questão de segurança e é difícil regressarem aos seus lares'.

Por parte do Hospital, a situação está controlada, dado que, respondendo ao apelo, todos os profissionais médicos e enfermeiros disponíveis se deslocaram para a unidade.

RIBEIRA BRAVA E FUNCHAL MAIS AFECTADOS

As zonas mais afectadas foram os concelhos de Ribeira Brava e do Funchal, onde a baixa da cidade está completamente inundada. As autoridades já apelaram à população para que permaneça em casa e não ceda à curiosidade. Devido à dificuldade das comunicações, os bombeiros pedem ainda que as pessoas apenas usem os telemóveis em caso de urgência, para que possam receber todos os pedidos de socorro.   

No Funchal, uma idosa morreu quando o tecto da casa onde vivia se abateu, em Santo António. O corpo de outra mulher foi recolhido pelos bombeiros, depois de ter sido arrastado pelas águas que inundaram por completo a rua da Pena.

As imagens de televisão que vão chegando mostram um cenário de completa destruição. As zonas mais baixas da cidade do Funchal estão transformadas num verdadeiro mar de lama e destroços vindos das regiões mais altas da cidade, onde também ocorreram algumas derrocadas. Em simultâneo, o nível médio do mar subiu e ocupou zonas de terra, impulsionado também pelas ondas emtre os quatro e os cinco metros.

As informações vão chegando a conta-gotas, um vez que as comunicações telefónicas e escritas com o exterior estão a ser condicionadas. O mau tempo causou ainda inúmeros estragos materiais, que vão demorar muito tempo a contabilizar.

Na população do Vasco Gil, uma localidade na zona alta do Funchal, está isolada devido às derrocadas na estrada da Eira do Serrado. Também na zona oeste da cidade, onde se concentram muitos dos hotéis, o mau tempo causou o transbordo de ribeiros que arrastaram pedras até à estrada monumental. A chuva intensa está também a causar estragos na zona velha da cidade, onde há relatos de alagamentos de estradas e restaurantes.

FOTO: DIREITOS RESERVADOS

SITUAÇÃO METEOROLÓGICA VAI MELHORAR

O arquipélago da Madeira vai continuar sob alerta vermelho, mas o serviço de Instituto Meteorológico já adiantou que as condições do estado do tempo devem melhorar progressivamente ao longo da tarde.

O vento pode chegar aos 120 quilómetros por hora nas zonas altas do arquipélago e o estado do mar, com ondas entre os quatro a cinco mentos, levaram o comandante do navio ‘Lobo Marinho' a cancelar a ligação marítima com a ilha do Porto Santo.

SÓCRATES: 'ESTOU DESOLADO'

 

O primeiro-ministro reagiu este sábado com consternação ao mau tempo na ilha da Madeira que já fez sete mortos e um desaparecido.

“Estou consternado, absolutamente desolado”, disse José Sócrates à margem da Comissão Nacional em Lisboa.

O porta-voz do Governo disse que o Executivo “fará tudo o que puder” para restabelecer a situação e anunciou que o ministro da Administração Interna, Rui Pereira, irá para o Funchal assim que as condições meteorológicas permitirem a aterragem de aviões.

“Sinto profunda mágoa e deixo uma palavra de coragem a todos aqueles que perderam pessoas”, disse ainda.

“Daremos todo o apoio que pudermos dar”, referiu José Sócrates, avançando ainda que o Governo da República está disposto para cooperar com o Governo Regional da Madeira e as autoridades do Funchal.

CAVACO ESTÁ A ACOMPANHAR SITUAÇÃO

O Presidente da República, Cavaco Silva, está a 'acompanhar e a procurar informação' sobre o temporal que este sábado assolou a região da Madeira. O Chefe de Estado já contactou as autoridades de protecção civil locais e nacionais. 

Cavaco Silva também já falou com Alberto João Jardim, presidente do Governo Regional da Madeira, sobre 'uma situação com gravidade e com repercussões humanas e materiais'.

CÂMARAS NAS OPERAÇÕES DE SOCORRO

A Protecção Civil da Madeira está a apelar aos trabalhadores de todas as Câmaras Municipais para regressarem aos seus postos de trabalho para poderem ajudar nas operações de socorro devido ao mau tempo, disse à agência Lusa fonte daquela instituição.

Contactada por telefone a partir de Lisboa, a fonte acrescentou que às 13h00 estava a decorrer uma reunião da Protecção Civil da Madeira para fazer um ponto da situação.

Uma residente na zona da Pena, que 'está completamente isolada', relatou à 'Antena 1' que viu entre oito a dez carros serem arrastados por um autotanque, bem como algumas pessoas, entre as quais bombeiros que tentavam auxiliar, uma situação que o vereador disse não estar em condições de confirmar.

O autarca adiantou que as situações nas zonas da Ribeira de João Gomes e Santa Luzia também são complicadas porque, no primeiro caso, o curso de água saltou do leito.

'A destruição a montante é maior do que no centro da cidade, onde se registam alagamentos', referiu.

Os relatos de destruição sucedem-se, circular no Funchal é praticamente impossível, as ligações telefónicas são complicadas, pelo que as autoridades estão apelar para que as pessoas permaneçam em casa.

A 'Antena 1' relatou ainda o caso de um turista que viajava num táxi e foi arrastado para uma residência na estrada Luso-Brasileira, desconhecendo o paradeiro dos outros passageiros.

O mau tempo está a afectar sobretudo a costa sul, sendo que as pessoas que residem no centro da vila da Ribeira Brava estão a abandonar o local para zonas mais altas, que está inundada, tendo a ribeira do local transbordado.

GOVERNO REGIONAL REÚNE-SE DE URGÊNCIA

O Governo Regional da Madeira anunciou que se vai reunir pelas 17h00 em Conselho Extraordinário para discutir as consequências do mau tempo e promover uma coordenação de todos os meios de socorro às populações.

NOTA: Envie-nos as suas imagens sobre o mau tempo na região da Madeira para portal@cmjornal.pt.

Gregório Cunha/Lusa

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