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Correio da Manhã

Portugal
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TRAINEIRA AFUNDA VIDA A PESCADORES

Os 22 pescadores da traineira ‘Mestre Comboio’ estão condenados ao desemprego desde que, anteontem de madrugada, a embarcação naufragou, depois do sistema de amarração no Porto de Peniche se ter partido.
18 de Novembro de 2003 às 00:00
Ventos superiores a 100 km/hora arrancaram as amarras ao fundo do porto e lançaram a traineira à deriva durante uma hora, por três quilómetros de costa, sem tripulantes, até se imobilizar nas rochas a sul da praia da Consolação.
A cinco semanas do Natal, os pescadores são confrontados com um início de ano difícil e um futuro carregado de incerteza, fruto de uma madrugada de mau tempo.
“De um momento para o outro uma pessoa fica desempregada e sem saber por quantos meses. Vou receber 60 ou 70 contos, para que é que isso dá?”, lamentava, ontem, Eduardo Baptista, de 54 anos.
De acordo com o armador, Joaquim Paulo Leitão, a traineira, com 14 anos, “é irrecuperável” e o prejuízo ascende a 250 mil euros, sem contar com as redes inutilizadas.
A amarração “tinha sido vista há seis meses” e até domingo “nunca houve o mínimo problema”, referiu Joaquim Leitão, que pensa ter uma nova embarcação no mar dentro de dez meses.
A ‘Mestre Comboio’ deverá ser desmantelada no local. Ontem os pescadores estiveram a resgatar o equipamento electrónico em bom estado e a cortiça e chumbo das redes.
QUEIXAS POR INSEGURANÇA
O acidente com a traineira ‘Mestre Comboio’ originou críticas às condições de segurança no Porto de Peniche, cujas obras de ampliação estão atrasadas dois anos, por erros de projecto e falta de financiamento.
O armador Joaquim Leitão condenou a falta de vigilância numa madrugada de temporal, adiantando que o assoreamento excessivo e a exposição aos ventos são outras lacunas graves do porto.
Para os pescadores, a amarração assente em bóias, em vez de ter o barco atracado, terá facilitado o acidente. “Se a ampliação estivesse concluída isto não sucedia”, afirmou João Rodrigues.
Henrique Bertino, presidente do Sindicato dos Pescadores da Região Centro, considerou o acidente “uma consequência grave” do atraso nas obras do porto.
A ‘Mestre Comboio’, que se dedicava à pesca de sardinha e carapau, transportava 500 litros de óleo e três mil litros de gasóleo que têm estado a verter para o mar. O acidente vai ser investigado pela Capitania, afirmou o comandante Damásio Afonso, que o atribui ao mau tempo.
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