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Correio da Manhã

Portugal
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Trasladação exigida

As cerimónias do XV Encontro Nacional de Combatentes ficaram ontem marcadas pela exibição de um ‘cemitério’ no relvado de Belém. As cruzes e urnas de madeira mostravam os nomes dos militares que morreram em Angola, Moçambique e Guiné e cujos corpos nunca foram devolvidos às famílias. Os ex-combatentes pedem que os camaradas tombados regressem a casa.

11 de Junho de 2008 às 00:30
Cemitério improvisado em Belém lembra os nomes dos soldados mortos cujos corpos não regressaram
Cemitério improvisado em Belém lembra os nomes dos soldados mortos cujos corpos não regressaram FOTO: Duarte Roriz

O encontro ficou ainda marcado pelo discurso enviado por Cavaco Silva – o Chefe de Estado não esteve nas cerimónias junto ao Monumento aos combatentes do Ultramar, em Belém, porque participou nas cerimónias do 10 de Junho em Viana do Castelo – lido pelo general José Taveira Martins, presidente da Comissão que organizou o evento.

O presidente apela à união entre os portugueses: "Saúdo os nossos antigos combatentes, testemunhos vivos e participantes na nossa História recente, manifestando-lhes o respeito e admiração que nos merecem. Formulo votos para que este encontro se constitua como um factor de união em torno dos valores que nos animam e nos fazem amar Portugal".

Também o antigo ministro do Ultramar (1961-1963) e ex-líder do CDS, Adriano Moreira, marcou presença no encontro anual.

O professor universitário João César das Neves discursou para comparar o sangue derramado na guerra com a lei do aborto: "Hoje já não há o sangue que o regime nos pede, pela guerra. O sangue que hoje há é aquele que nós pedimos ao regime, pelo aborto. E esse sangue não nos fala de dever. Fala-nos de prazer, de desespero, de abandono, de solidão, de infâmia".

O cantor Dany Silva e a selecção nacional de Râguebi cantaram o hino nacional antes da exibição de meios da Força Aérea Portuguesa. O encontro terminou com a deposição de flores no Monumento aos Combatentes.

PORMENORES

CEMITÉRIO FICTÍCIO

Pela primeira vez, foi feito um cemitério fictício, onde os militares exigiram através de cartazes que os restos mortais dos milhares que morreram em vários cenários da guerra do Ultramar sejam trazidos para Portugal, a pátria que serviram.

CERIMÓNIA RELIGIOSA

D. José Policarpo presidiu pela primeira vez à cerimónia inter-religiosa (católica e muçulmana) do encontro. Numa missa realizada no Mosteiro dos Jerónimos, o Cardeal-patriarca de Lisboa recordou os que "tombaram pela Pátria". A celebração religiosa contou também coma presença do Sheik Munir.

15.º ENCONTRO NACIONAL

O XV Encontro Nacional de Combatentes visou, segundo a organização, "sensibilizar os portugueses para a necessidade de continuar a gostar da Pátria e louvar os mortos da guerra".

 

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