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TRATAMENTO DESACONSELHADO

O tratamento hormonal de substituição (THS) para as mulheres após a menopausa deixou de ser recomendado na prevenção da osteoporose (perda de massa óssea), que ocorre naquele período da vida feminina, quando diminui a produção de estrogénios.

05 de dezembro de 2003 às 00:00

A decisão regulamentar partiu do Instituto da Farmácia e do Medicamento (Infarmed) e já foi contestada, nomeadamente, pela Sociedade Portuguesa de Menopausa, cujo presidente, Mário de Sousa, afirmou ao Correio da Manhã “não ser hábito aplicar a THS apenas para prevenir a osteoporose”, mas sim “a mulheres sintomáticas, nomeadamente com afrontamentos, suores e atrofia uro-genital”, a fim de garantir-lhes “melhor qualidade de vida”.

O Infarmed e as autoridades nacionais reguladores de medicamentos de toda a Europa concluíram porém que, na osteoporose, os riscos (cancro da mama, acidentes vasculares cerebrais) são maiores do que os benefícios e, logo, a THS, a qual consiste na administração de hormonas semelhantes às produzidas pelo corpo antes da menopausa, não deve ser aplicada. Ainda assim, o Infarmed ressalva que, para o tratamento dos sintomas da menopausa, a THS continua a revelar-se benéfica, mas apenas por períodos de tempo muito curtos. O mesmo instituto recorda que, actualmente, já não se considera a THS benéfica na prevenção da doença cardiovascular. O risco cardiovascular é um dos principais em mulheres pós-menopáusicas, pois estas deixaram de contar com os estrogénios, que as protegem dele.

ALERTA 'DESATEMPADO'

O presidente da Sociedade Portuguesa de Menopausa considerou o alerta do Infarmed “desatempado”, uma vez que se baseia nos resultados de um estudo norte-americano interrompido em 2002, no qual foram detectados “erros” e que não considerou a diferença entre as práticas terapêuticas europeia e norte-americana.

O presidente da Associação Portuguesa de Osteoporose, Albino Aroso, em declarações à TSF, disse estar convencido de que os tratamentos hormonais – que continuam a ser comparticipados pelo Ministério da Saúde – têm vantagens se forem administrados moderadamente.

“Há uma fase na mulher, no início da menopausa, em que as perturbações emocionais e físicas são muito intensas e beneficiam extraordinariamente com a terapêutica hormonal de substituição, que tem outros efeitos benéficos, como a diminuição de risco de cancro no cólon”, considerou Albino Aroso.

Também Mário de Sousa defendeu a administração da THS a mulheres sintomáticas, notando que “a probabilidade de virem a sofrer de problemas cardiovasculares pode, de facto, ser reduzida”. Por seu turno, o bastonário da Ordem dos Médicos, Germano de Sousa considerou importante promover mais estudos para avaliar a decisão do Infarmed. O bastonário apelou à calma dos médicos e aconselhou-os a “decidir caso a caso”.

Rui Santos e Silva, presidente do Infarmed, reafirmou ter-se limitado a cumprir o seu papel, de acordo com a decisão do Comité Europeu do Medicamento, garantindo, porém, que a avaliação da THS não está encerrada.

A osteoporose é uma doença óssea que resulta da carência de cálcio. Estes ficam mais porosos e fracturam-se com maior facilidade. Os ossos crescem até aos 20 anos. A partir dos 35 anos, regista-se uma perda de massa óssea, mais rápida nas mulheres, sobretudo após a menopausa.

A prevenção deve começar cedo. Deve beber-se meio litro de leite por dia (é rico em cálcio). Devem, também, ingerir-se alimentos ricos em vitamina D, nomeadamente alface, agrião, sardinha e salmão. Recomenda-se, ainda, exercício físico e exposição ao sol.

Embora a osteoporose possa afectar qualquer osso, a coluna, a anca e o pulso são os locais que fracturam mais facilmente. As pessoas que sofrem de osteoporose têm tendência a apresentar curvatura nas costas e podem sofrer de dores lombares.

A osteoporose é responsável, nos países europeus, por gastos hospitalares anuais de mais de 23 mil milhões de euros e é causadora de uma fractura em cada 30 segundos. O acesso a equipamento e a escassez de técnicos são os principais obstáculos para o tratamento eficaz da doença.

MEIO MILHÃO

Calcula-se que existem perto de um milhão e meio de portuguesas em pós-menopausa. Destas, cerca de 500 mil sofrem de osteoporose.

SUBDIAGNÓSTICO

Das 500 mil mulheres que sofrem de osteoporose, apenas 230 mil estão diagnosticadas e 80 mil doentes não seguem qualquer tipo de medicação.

MEDIDA ANTIGA

A Sociedade Portuguesa de Ginecologia lembra que, há longa data, a terapêutica hormonal não é recomendada como opção de primeira linha para o tratamento da osteoporose.

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