Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
6

TRATAR ANIMAIS FUGIDOS DO FOGO

O Centro de Acolhimento de Animais Selvagens de Santo André, no Litoral Alentejano, tem estado a receber animais fugidos dos incêndios das últimas semanas, nomeadamente uma gineta, também conhecida por gato-bravo, que se apresentava "sem unhas e toda queimada", segundo afirmou ao Correio da Manhã o responsável pela instalação, gerida pela associação Quercus, Dário Cardador.
24 de Setembro de 2003 às 00:00
O Centro de Acolhimento de Santo André recebeu uma gineta e dois grifos muito magros
O Centro de Acolhimento de Santo André recebeu uma gineta e dois grifos muito magros
A gineta ferida, apanhada na Tapada de Mafra, foi reenviada recentemente para o Centro de Acolhimento de Monsanto, onde se espera que receba tratamento de emergência, regressando, no próximo sábado, a Santo André. Uma águia com a plumagem queimada morreu entretanto. Dário Cardador admitiu, igualmente, que a debilidade física dos grifos recebidos no Centro de Santo André seja consequência da falta de alimento provocada pelos incêndios.
Um deles foi encontrado no Estuário do Sado e o outro na Arriba Fóssil. "Pesam cinco quilos quando deviam pesar sete e meio ou oito", explicou o dirigente ambientalista, reparando que, além dos animais fugidos, prevê-se que comecem a aparecer outros com fome e debilitados, dada a destruição dos respectivos habitats.
A maior parte dos animais acolhidos em Santo André são aves de rapina e necrófagos (alimentam-se de cadáveres), como o grifo. "Os mamíferos não se deixam apanhar e muitas vezes vão guardando lume e propagam-no nos locais mais íngremes", explicou Dário Cardador.
No caso do lince ibérico, que nunca foi avistado em território nacional, torna-se cada vez menos provável que venha a sê-lo, uma vez que o seu habitat foi devastado pelas chamas.
Lembrando que "a Serra de Monchique foi classificada como habitat prioritário do lince ibérico", o responsável pelo Centro de Acolhimento de Santo André, afirmou que, uma vez destruída aquela, "e embora o lince possa percorrer cem quilómetros por dia, sem habitat não teremos lince".
No Centro de Acolhimento, propriedade do Instituto da Conservação da Natureza, encontram-se 21 animais. Dada a inexistência de uma rede de centros, é através de contactos pessoais que os animais debilitados, feridos, a tiro ou na sequência de colisões, e pilhados (dos ninhos, por exemplo) quando são jovens circulam entre as instalações existentes.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)