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Correio da Manhã

Portugal
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Ao minuto Atualizado às 15:41 | 29/10

Rui Pinto tramado por usar endereços na ‘Lista Negra’ para alegado ataque à PLMJ, revela responsável de segurança. Siga ao minuto

19.ª sessão no âmbito do processo Football Leaks tem lugar no Campus de Justiça, em Lisboa.
Pedro Zagacho Gonçalves(pedrogoncalves@cmjornal.pt) 29 de Outubro de 2020 às 10:04
Rui Pinto
Rui Pinto FOTO: David Cabral Santos
Ao minuto Atualizado a 29 de out de 2020 | 15:41
15:41 | 29/10
Termina a sessão, uma vez que Maria João Mata, advogada na PLMJ diz não ter recebido a convocatória para testemunhar em tribunal. Será ouvida em data a agendar.
15:39 | 29/10
A última testemunha ouvida na sessão foi Francisco Oliveira Martins, de 77 anos, advogado reformado que esteve na PLMJ durante 45 anos, até 2019. Lembrava-se das suas contas de email na sociedade e relatou ter correspondência pessoal e profissional no correio electrónico. Explicou também que, além de si, apenas a sua secretária, Lina Peres, tinha acesso à caixa de email e computador, que consultava com o advogado.
Sobre o alegado ataque, recorda que foi alertado pelo Conselho de Administração.
A procuradora Marta Viegas pediu que fosse ouvida a secretaria de Francisco Oliveira Martins, para confirmar alguns emails encontrados na caixa alegadamente roubada por Rui Pinto. Deverá ser ouvida dia 10 de novembro.
15:35 | 29/10
É retomada a sessão após a pausa para almoço. É ouvida Sónia Pacheco, secretaria na PLMJ desde 2013. Contou que tinha documentos pessoais, seus e dos advogados que assessorava na sua caixa de email, alegadamente também acedida por Rui Pinto. Questionado sobre se algum documento extraído do seu email ou computador foi publicado, disse não fazer ideia. Negou também ter qualquer documento relacionado com o mundo do futebol ou o universo Luanda Leaks, apesar de prestar apoio a Inês Pinto da Costa, advogada ligada a Isabel dos Santos.

Em seguida prestou testemunho António Moreira, advogado na PLMJ desde 2009/2010, após ter estagiado na sociedade.
Admitiu ter estado ligado ao futebol, mas em processos de arbitragem internacional, "nada relacionado com Portugal". Sobre os documentos, profissionais e pessoais que tinha no email, alegadamente acedido por Rui Pinto, afirmou: "É tudo; conversas com a minha mulher, amigos, marcações de almoços, tudo o que é do meu foro íntimo; fotos de família, dados bancários e financeiros, declarações de IRS..."
Disse que nunca viu documentos seus publicados na Internet, mas admitiu também que nunca foi à procura dos mesmos. Questionado sobre como vê a alegada invasão do seu computador e caixa de email, a testemunha reagiu à procuradora: "Vejo com absoluta indignacao!".
12:55 | 29/10
Pedro Zagacho Gonçalves
Imediatamente foram cancelados todos os acessos e Jordão Palma admitiu que, inicialmente, desconfiaram do colega informático, Luís Fernandes a quem os acessos haviam sido roubados: "as horas e localização diziam o contrário". Confrontado pela procuradora Marta Viegas, com o relatório de segurança informática pedido pela PLMJ, o responsável informático explicou que as credenciais alegadamente roubadas foram usadas para "acesso direto ao Office 365, uma nuvem, onde foram efetuadas as permissões para acessos às várias caixas de email".

No total foram acedidas 72 máquinas, entre computadores e servidores, explicou a testemunha.
As suspeitas de que estavam perante um hacker foram confirmadas por causa da anonimização, que acabou por tramar Rui Pinto: "Detetámos utilização de serviços que escondem a origem, por países como Tailândia, Hungria, Rússia e Portugal. E os IPs utilizados para os acessos já estavam referenciados por uso para atividades ilegais, estavam na Internet na chamada ‘Lista Negra’, que o nossos sistema consulta", explicou a testemunha.

O responsável informático contou que, após o ataque foram "implementaras várias medidas de segurança".
12:38 | 29/10
Pedro Zagacho Gonçalves
Jordão Palma, engenheiro informático e à data dos factos analista de segurança na PLMJ, foi a última testemunha a ser ouvida antes da pausa para almoço.

Atualmente ainda a trabalhar para a sociedade, através de outsourcing à empresa A2IT, recordou o dia 22 de dezembro de 2018, como o dia em que se aperceberam do alegado ataque, quando foram publicados documentos da sociedade no blogue Mercado do Benfica. Foi alertado pelo superior, Ricardo Negrão, e contou como suspeitaram de algo estranho.

"Fomos tentar perceber como tinham sido extraídos e percebemos que estava a ser usada a conta Externo04 [alegadamente roubada por Rui Pinto a um técnico informático, através de esquema de phishing] para ceder acessos a contas de email. A horas suspeitas e localizações suspeitas", disse o responsável informático da sociedade, explicando que os acessos eram feitos "de madrugada e a partir de países como a Hungria, através de serviços de de proxy anónimo, que escondem o rasto". Os acessos tanto eram "pontuais" como eram "prolongados" ao longo de várias horas.
12:27 | 29/10
Pedro Zagacho Gonçalves
Pedro Rosa Fernandes, advogado na PLMJ desde 2016, também terá visto o seu computador e email pessoal alegadamente acedidos por Rui Pinto. Afeto ao Direito do Trabalho e Direito do Desporto, disse ter documentos como "contratos de trabalho, peças jurídicas, documentos do mestrado e documentos pessoais, como cópia do cartão de cidadão".
Sobre como a notícia da divulgação se soube na sociedade de advogados PLMJ, revelou que foi enviado email do Conselho de Administração aos afetados, mas ressalvou: "A maioria [dos advogados] não soube por essa informação, mas pelas notícias que saíram". Considerou o alegado acesso de Rui Pinto "ilegítimo e gravoso" e relatou não ter "nada de mediático ou que suscitasse interesse" na sua caixa de email ou computador da PLMJ.
12:18 | 29/10
Pedro Zagacho Gonçalves
Em seguida foi ouvido Manuel Rocha, advogado na PLMJ desde 2007. Está no departamento de Propriedade Intelectual e explicou que na sua caixa de email, alegadamente acedida e espiada por Rui Pinto, tinha "correspondência com clientes, advogados, análises clínicas", e no computador havia "ficheiros, peças processuais, jurisprudência, contactos", "praticamente todos" sujeitos a sigilo profissional.

Soube do alegado ataque através do conselho de administração e sobre publicação de documentos seus disse à procuradora Marta Viegas: "Não tenho ideia de terem sido publicados documentos meus". Disse não ter nada na sua caixa de email profissional e no computador sobre futebol (admitiu ter trabalhado com sponsors de alguns clubes, mas não diretamente relacionado com futebol) ou o universo Luanda Leaks.

Logo depois foi ouvida, também como testemunha, Maria Diogo Tavares, advogada estagiária na PLMJ, que trabalhava na equipa de João Medeiros, Inês Almeida Costa e Rui Costa Pereira (assistentes já ouvidos em tribunal). Sobre os documentos divulgados no Mercado do Benfica disse à procuradora: "Não excluo a possibilidade de terem sido feitos por mim ou estarem no meu computador. Soube mas não vi nada nesses sites".
12:11 | 29/10
Pedro Zagacho Gonçalves
Paulo Henriques, que foi treinador principal da equipa de futebol sub-16 do Sporting entre 2015 e 2017,  relatou que tinha maioritariamente emails profissionais na caixa de email do clube e que não se apercebeu dos acessos alegadamente feitos por Rui Pinto. A testemunha negou que tivesse feito os acessos que o MP atribui a Rui Pinto, feitos com um IP da Hungria.

Também Felipe Celikkaya, que em 2015 era treinador de futebol da equipa sub-19 do Sporting, explicou que tinha apenas "emails do universo Sporting e comunicação interna" na sua caixa de correio electrónico do clube. Não se apercebeu de nenhuma publicação na Internet de documentos que pudessem ter sido extraídos da sua conta de email.
09:57 | 29/10
Tem lugar esta quinta-feira, no Campus de Justiça, em Lisboa, a 19.ª sessão do julgamento de Rui Pinto no âmbito do processo Football Leaks. O hacker português está acusado de 90 crimes, incluindo tentativa de extorsão ao fundo desportivo Doyen, sabotagem informática ao Sporting, violação de correspondência, acesso indevido e acesso ilegítimo.

Durante a manhã são ouvidos Felipe Celikkaya e Paulo Henriques, que foram treinadores no Sporting, assim como os advogados da PLMJ (sociedade que terá sido alvo de Rui Pinto, por ligações ao caso E-Toupeira e Isabel dos Santos) Pedro Rosa, Maria Diogo Tavares e Manuel Rocha. Será ainda ouvido esta manhã Jordão Palma, responsável pela segurança informática da sociedade de advogados PLMJ.

À tarde são ouvidos como testemunhas os advogados da PLMJ Sónia Pacheco, António Moreira, Francisco Martins e Maria João Mata.
Rui Pinto Sporting PLMJ desporto futebol
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