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Correio da Manhã

Portugal
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Três homens condenados a 14 anos de prisão por escravizarem imigrantes ilegais

23 nepaleses trabalhavam na apanha de morangos, em Almeirim.
João Tavares 12 de Novembro de 2018 às 08:45
Prisão
Grades de Prisão
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Quando os inspetores do SEF irromperam pela estufa de morangos, em Paço dos Negros, Almeirim, encontraram 23 nepaleses a trabalhar em situação ilegal.

Percebeu-se então que viviam num armazém ali perto, em condições desumanas. Ainda assim, o patrão obrigava-os a pagar pelo alojamento e pela comida. Este e outros dois homens acabaram condenados a 13 e 14 anos de prisão, em dezembro de 2017, por 23 crimes de tráfico de pessoas. Recorreram, mas a Relação de Évora confirmou agora as penas.

Os nepaleses chegaram a Portugal e foram colocados numa produção agrícola, por intermédio de uma empresa de trabalho temporário. Assinaram um contrato de trabalho redigido em português – mesmo sem saberem ler ou falar a língua de Camões -, em que se lia que iam ganhar 530 euros/mês. No processo burocrático, o patrão exigiu logo que fossem pagos 200 euros para a Segurança Social.

O empregador exigia ainda 60 euros mensais pelo alojamento: dormiam num armazém sem janelas, com dois duches avariados, sem água potável e sem esgotos. Por vezes, era distribuída alguma comida, mas os imigrantes também tinham de pagar 55 euros por mês.

Segundo o acórdão, a jornada de trabalho começava às 06h30 e terminava pelas 15h30. Por vezes folgavam ao domingo. As vítimas disseram que nunca sabiam quanto dinheiro iam receber. No acórdão é dito que os arguidos agiram "sem preocupação pela saúde e dignidade" dos imigrantes.
SEF Relação de Évora Paço dos Negros Almeirim Portugal Segurança Social
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