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Correio da Manhã

Portugal
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Três mil pessoas viram Auto da Paixão em Chaves

Mais de três mil pessoas assistiram, ontem, no anfiteatro do Forte de S. Neutel, em Chaves, ao Auto da Paixão – Vida e Morte de Jesus – produzido pelo Grupo Etnográfico de Bustelo, que disponibilizou para esta encenação de teatro popular 62 figurantes, que reviveram as principais cenas da liturgia da Semana Santa, desde a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, celebrada no Domingo de Ramos, até à crucificação e morte de Cristo.
26 de Março de 2005 às 00:00
O Auto da Paixão apresenta-se como a simbologia máxima do teatro de expressão popular na região transmontana, obrigando os participantes a ensaiar durante um ano completo, para poderem apresentar esta encenação que dura três horas e quinze minutos.
Por norma, cada aldeia apenas o apresenta de cinco em cinco anos, “para não cansar os actores, e deixar algum desejo junto do povo para que nos anos em que ele se realiza compareçam em massa, como foi o caso”, explicou um elemento da organização.
Ontem, nem a chuva que teimou em cair durante todo o espectáculo retirou ânimo aos actores, sendo que o público que enchia as bancadas também não arredou pé. Houve mesmo quem, à moda antiga, trouxesse o farnel que saborearam antes, durante e no fim da encenação.
Entre os actores – todos pertencentes ao Grupo Etnográfico de Bustelo, uma freguesia dos arredores de Chaves –, há pessoas que interpretam os seus papéis há mais de vinte anos. Os ensaios na aldeia, ao longo do ano são de tal forma vividos por todos que, se por necessidade de força maior, alguém adoecesse, não faltaria quem fizesse o seu papel.
José Carlos Anjos interpreta o papel de Cristo, há mais de duas décadas, e tem a particularidade de usar neste dia a cabeleira do santo padroeiro da freguesia, tirada propositadamente para este acto. A este adereço, José Carlos junta outro, mas natural: durante dois meses não desfaz as barbas, para ficar mais parecido com a personagem.
FIGURAS HISTÓRICAS
MARIA MÃE DE JEJUS
Maria da Conceição Cabra é uma novata no Auto da Paixão, que diz estar completamente à vontade: “Sei de cor o meu papel e estou compenetrada dos passos que tenho de dar. Achei muita graça quando na aldeia me começaram a tratar por ‘Mãe de Jesus’.”
JUDAS
Joaquim Cavaleiro faz bem este papel pela primeira vez, mas não é como Judas: “Nem me quero imaginar no lugar de traidor de um grande amigo.”
BARRABÁS
José Rodrigues Pires, um bom bonacheirão, interpreta Barrabás, que ontem lá seguia aguilhoado por entre as legiões de Pôncio Pilatos. “Faço isto há anos sem problema. O meu papel é rasgar a roupa quando sou colocado em liberdade.”
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