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Correio da Manhã

Portugal
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TRÊS PORTUGUESES DETIDOS

O empresário português, residente há dez anos na Galiza e que há alguns meses foi apresentado como ‘salvador’ do clube de futebol de Santiago de Compostela, foi detido no passado fim-de-semana e viu a sua prisão confirmada anteontem pela juíza Belén Turner, do Tribunal de Porriño.
12 de Março de 2003 às 00:00
Numa acção denominada ‘Operação Polvo’, a Guarda Civil deteve, para além de Alípio Fernandes Martins, a sua mulher, Maria Emília Andrade Moreira, e o seu irmão, José Luís Martins, assim como dois colaboradores espanhóis, José Miguel Aguilar e Tomás Rainiero Aguilar.

Com estas detenções, a Guarda Civil espanhola considera ter desmantelado aquela que era, provavelmente, a mais importante rede de burlões a actuar na Península Ibérica.

Segundo fonte policial, esta rede começou em 1993, com a criação da empresa Seafood, S.L., em Vigo, de que são donos o próprio Alípio e o seu sogro Simão de Oliveira Moreira.

Desde aí, Alípio Martins fundou 36 empresas, 21 em Espanha e 15 em Portugal, muitas delas ligadas ao comércio de produtos congelados. E em praticamente todos os negócios, diz a Guarda Civil, havia burla.
O esquema, ao que o CM apurou, consistia em comprar peixe, com prazos alargados de pagamento, que não cumpria, vendendo o produto a preços de arrasar a concorrência.

A entrada de Alípio nos negócios do futebol, provocando uma grave crise no Compostela, acabou por ser o ‘passe’ decisivo para a sua detenção. E as investigações estão longe do fim.

BOAVISTA NA MIRA DE ALÍPIO

Os projectos de Alípio Fernandes nos negócios do futebol não se ficavam pelo Compostela. O empresário português tencionava, a curto prazo, estabelecer relações comerciais, a começar pelo negócio de jogadores, no Clube Desportivo de Lugo, no Atlético de Madrid, no Badajoz e no Boavista.

No caso do clube português, Alípio Fernandes terá estabelecido contactos com o advogado Luís Miguel Novais, amigo de João Loureiro, no sentido de, a curto prazo, colocar alguns jogadores à experiência no Bessa, o que, até à data, não chegou a acontecer. Mais problemática foi a abordagem ao Desportivo de Lugo, onde Alípio terá tentado pôr a mulher como vice-presidente. No Atlético de Madrid, Alípio Fernandes tentou ‘abrir as portas’ através de Futre.
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