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Correio da Manhã

Portugal
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Tribunal absolve 11 agentes do Corpo de Intervenção por não identificar “autores de agressão bárbara”

“Autores da agressão estão aqui na sala”, disse o presidente do coletivo de juízes.
Liliana Rodrigues 8 de Novembro de 2019 às 09:04
Juízes de Guimarães dizem que só absolveram os polícias porque não conseguiram identificar os agressores
Justiça
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Juízes de Guimarães dizem que só absolveram os polícias porque não conseguiram identificar os agressores
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Juízes de Guimarães dizem que só absolveram os polícias porque não conseguiram identificar os agressores
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"Os autores das bárbaras agressões estão aqui nesta sala, disso não tenho dúvidas. Só não sei é quem foram ou se foram todos, porque ninguém os conseguiu identificar. Mas toda a gente sabe que vocês sabem quem é que fez aquilo", afirmou, esta quinta-feira à tarde, o presidente do coletivo de juízes do Tribunal de Guimarães, que decidiu absolver os 11 agentes do Corpo de Intervenção da PSP acusados de agredir um adepto do Boavista, em 2014, à porta do estádio de Guimarães, deixando-o cego de um olho. A vítima vai recorrer da decisão.

De pé, os 11 agentes da PSP ouviram as críticas do juiz à postura que mantiveram. "Com que sentido de justiça declararam que não sabiam, que não viram nada? Como permitem que se faça isto, que se fechem no corporativismo?", disse ainda o juiz antes de sublinhar que todos eles "agiram em comunhão de esforços para encobrir a identidade dos agressores".

Ainda assim, o juiz sublinhou que as testemunhas não conseguiram identificar nenhum agente em concreto e por isso "era incapaz de condenar quando houvesse dúvidas de que um, ou até meio, se isso fosse possível, está inocente".

O coletivo do Tribunal de Guimarães não deixou ainda de notar uma "falha muito grave" aludindo ao facto de os agentes do Corpo de Intervenção não terem no seu fardamento qualquer elemento identificativo, nem que fosse apenas "um número", impossibilitando assim a identificação dos agressores – um pormenor crucial e que fez toda a diferença para absolver os 11 agentes da PSP.

PORMENORES
Arguidos
Entre os 11 arguidos absolvidos está Paulo Rodrigues, presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP). À saída do tribunal não quis prestar declarações.

Basta ser polícia
Apesar de não ter comentado a decisão, Paulo Rodrigues escreveu, mais tarde, um comentário na rede social Facebook: "Para ser acusado basta ser polícia e estar de serviço."

Critica sermão
O advogado dos 11 agentes da PSP considera que não havia, perante a prova, outra opção senão a absolvição e criticou o juiz: "A Justiça não se faz de puxões de orelhas", disse João Carlos Silva.

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