Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
3

Tribunal de Leiria julga homem suspeito de homicídio qualificado em Porto de Mós

Arguido, de 59 anos, motorista de profissão, "formulou" um plano para "matar" a mulher com quem vivia maritalmente.
10 de Maio de 2019 às 09:55
Tribunal
Tribunal FOTO: Getty Images
O Tribunal de Leiria está a julgar um homem acusado de homicídio qualificado, pela morte da companheira, em abril de 2018, na freguesia do Juncal, em Porto de Mós, no distrito de Leiria.

De acordo com o despacho de acusação a que a agência Lusa teve acesso esta sexta-feira, o arguido, de 59 anos, motorista de profissão, "formulou" um plano para "matar" a mulher com quem vivia maritalmente.

No dia 18 de abril de 2018, o suspeito pediu à ex-mulher que lhe emprestasse um veículo de mercadorias, "dizendo-lhe que precisava do mesmo para fazer mudanças", pese embora não o tenha efetuado, "nem tivesse intenção de o fazer".

Depois de uma troca de automóveis, o suspeito "trocou de roupa e, após, sempre constante no propósito de matar a ofendida, dirigiu-se à residência de ambos".

"Ainda na execução do plano previamente traçado, entrou na sua residência, retirou um televisor LCD que se encontrava na sala e colocou-o na parte de carga da carrinha. Depois, entrou novamente em casa, tendo nessa altura chegado a ofendida. Surpreendida com a presença do arguido, perguntou-lhe porque é que ele estava em casa àquela hora, ao que o arguido lhe disse que não se sentia bem e por isso tinha ido a casa almoçar", lê-se no despacho de acusação.

A mulher dirigiu-se à cozinha para preparar o almoço e sentou-se à mesa para almoçar. "O arguido colocou umas luvas de borracha e agarrou numa faca de cozinha com cerca de 25 cm de comprimento. Encontrando-se a ofendida de costas, abeirou-se daquela por trás" e degolou-a.

A mulher virou-se e acabou por ser esfaqueada em várias partes do corpo. "A ofendida tentou defender-se, pondo os braços para a frente e fugindo pela cozinha", mas o arguido perseguiu-a, agredindo-a com "vários golpes".

Com a mulher no chão, o suspeito abriu várias gavetas e armários, de modo a fazer crer que tinha ocorrido um assalto.

Depois de se ter livrado da roupa suja de sangue, faca e luvas, voltou mais tarde a casa. Depois de ter entrado, dirigiu-se para a rua e começou a gritar a pedir socorro, "afirmando aos que, nessa sequência, acorreram ao local, que se tinha acabado de deparar com a ofendida no chão da residência, não sabendo o que se tinha passado, mas assinalando a falta do televisor, de um fio em ouro e de uma pulseira em ouro, de modo a que pensassem ter-se tratado de uma assalto".

"Agiu ainda o arguido de forma calculada, preparando a execução do crime com calma e reflexão, revelando insensibilidade, indiferença e persistência na execução", considera o despacho do MP.

A próxima sessão do julgamento está agendada para o dia 04 de junho.
Tribunal de Leiria Juncal Porto de Mós Leiria crime lei e justiça tribunal polícia questões sociais
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)