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Correio da Manhã

Portugal
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Tribunal liberta quatro arguidos

Os quatro principais suspeitos da alegada rede de favorecimento da prostituição e auxílio à imigração ilegal foram mantidos por mais uma noite sob detenção pelo juiz de instrução criminal do Tribunal de Leiria. Os outros quatro sairam em liberdade a meio da tarde de ontem, ficando obrigados a apresentações periódicas à polícia nas áreas de residência.
13 de Janeiro de 2006 às 00:00
Um dos arguidos, ontem, a saída do tribunal, rodeado por agentes policiais
Um dos arguidos, ontem, a saída do tribunal, rodeado por agentes policiais FOTO: Carlos Barroso
Além destas medidas e da prestação de termo de identidade e residência, o tribunal obrigou Jorge Peixoto, co-proprietário do Passarelle de Coimbra, ao pagamento de uma caução de três mil euros. Alguns destes arguidos ficaram também “proibidos de frequentar determinados lugares”, anunciou Isabel Seixas, escrivã de Direito do Tribunal de Leiria.
Apesar de mais um dia intenso em diligências processuais, só hoje será proferida a decisão do juiz de instrução criminal relativa aos quatros alegados cabecilhas da rede – Vítor Trindade, dono da cadeia Passarelle; Alfredo Morais (ex-PSP) e os irmãos Paulo César e Rui Baptista.
Pelo semblante carregado e algumas lágrimas de familiares registadas ontem, é bem possível que todos temam ficar em prisão preventiva. À tarde, os suspeitos ainda detidos foram levados, um por um, à presença do juiz, permanecendo na sala cerca de 15 minutos cada um.
Após esta diligência, todos os advogados de defesa foram chamados e estiveram reunidos na sala de audiências mais de uma hora. Hoje regressam ao início da tarde para ficar a conhecer a decisão final.
SÓ UM JUIZ
A morosidade do processo tem sido justificada com a complexidade do caso e da quantidade de documentação apreendida. O único juiz de instrução criminal de Leiria, Paulo Fernandes, é obrigado a desdobrar-se entre este caso e outros que entretanto surgem no tribunal.
Os familiares e amigos de Vítor Trindade e de Alfredo Morais já contavam recebê-los quarta-feira à noite com uma festa em Lisboa, mas tiveram que anular a comemoração.
"PROJECTO ACABOU"
“O projecto Passerelle acabou”, disse ontem Miguel Reis, defensor de Vítor Trindade. Segundo o advogado de defesa, o seu cliente “está profundamente abalado e vai retirar-se da noite porque é um empresário de sucesso reconhecido e toda a gente sabe que não se envolveu na prostituição”. O patrão da cadeia de clubes de ‘striptease’ Passerelle e de outros estabelecimentos de diversão nocturna como o Photus, diz-se “muito ofendido” com todo este processo.
“O senhor Vítor Trindade enganou-se no País onde pensava fazer um projecto arrojado, alternativo à prostituição”, disse Miguel Reis, adiantando que foi a prostituição quem saiu a ganhar. De acordo com o advogado, ontem estiveram a ser discutidas em Tribunal essencialmente questões de ordem técnica e constitucional.
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