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Correio da Manhã

Portugal
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Tribunal pede avaliação psiquiátrica de suspeito de tentar matar a mulher

Arguido admitiu ter apertado o pescoço à mulher.
28 de Novembro de 2016 às 15:27
Justiça
Justiça FOTO: iStockphoto
O coletivo de juízes do Tribunal Judicial de Leiria pediu esta segunda-feira a avaliação psiquiátrica de um homem de 34 anos acusado de tentativa de homicídio e violência doméstica sobre a mulher, em 2015, na Batalha.

Na primeira sessão de julgamento, ocorrida hoje, o arguido admitiu ter apertado o pescoço à mulher, mas referiu não se recordar de mais nada a partir dessa altura.

O suspeito disse ainda estar internado na unidade psiquiátrica "Andrinos" do Hospital de Santo André, em Leiria, "há cinco dias". Já a sua mãe testemunhou que o homem está a receber acompanhamento psicológico desde junho de 2015.

O procurador do Ministério Público pediu ainda que o arguido fosse confrontado com as declarações em sede de primeiro interrogatório - no qual o suspeito explicou tudo o que sucedeu no dia dos factos -, uma vez que hoje disse não se lembrar de nada.

"O coletivo deliberou solicitar ao gabinete médico-legal do hospital de Leiria uma perícia psiquiátrica a fim de saber se o arguido, no momento dos factos, tinha capacidade para avaliar a licitude dos mesmos", ordenou o juiz presidente.

Aos juízes, o arguido confirmou a maioria dos factos que constam na acusação, afirmando ter conhecido a mulher através da internet.

"Ela morava no Brasil e veio viver para a casa da minha mãe, na Batalha, mas eu continuei a trabalhar em Inglaterra, por isso, casámos por procuração", contou.

O homem também admitiu que o relacionamento com a ofendida envolvia algumas discussões, originadas pelo facto de entender que a mulher mantinha uma vida desregrada, não desenvolvendo qualquer atividade profissional.

No entanto, negou tê-la empurrado ou agredido antes da alegada tentativa de homicídio, como consta na acusação: "Não lhe chamei nomes nenhuns nem nunca a empurrei contra a cama ou contra a parede. Só disse que ela não trabalhava e não procurava meio para nos ajudar para termos uma vida a dois".

Segundo a acusação, no dia 21 de abril de 2015, a mãe do arguido informou a ofendida de que teria de abandonar a sua casa por a ter visto à entrada do prédio abraçada a outro homem.

O arguido acabou por pedir o divórcio, mas, segundo as suas declarações em tribunal, quando a informou de que queria ir à conservatória assinar os papéis a mulher arranhou-o na cara.

"Perdi noção de mim e apertei-lhe o pescoço. Depois já não me lembro de mais nada", afirmou, acrescentando que a sua mãe entrou depois no quarto e que chamaram os bombeiros para socorrer a vítima.

Em seguida, foi à GNR entregar-se, por indicação da mãe.

Segundo a acusação, o arguido "encostou-se às costas [da ofendida] e envolveu o pescoço da mulher com um dos braços apertando-o. A mulher caiu em cima da cama, continuando o arguido a apertar-lhe o pescoço".

O despacho refere ainda que a mãe do arguido bateu à porta do quarto, mas o homem mandou-a embora. Esta entrou na mesma e retirou-o de cima da vítima.

"Em virtude da conduta levada a cabo pelo arguido, a mulher perdeu os sentidos", lê-se ainda no despacho de acusação.

Durante a sessão, o tribunal tentou, sem sucesso, estabelecer contacto com a ofendida para recolher o seu testemunho através de videoconferência, uma vez que se encontra no Brasil.

O julgamento prossegue no dia 16 de janeiro de 2017, pelas 14:00.
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