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Correio da Manhã

Portugal
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Tribunal pede perícia a morto

Psiquiatra recebeu notificação com localização da campa.
Marta Louro 24 de Janeiro de 2018 às 09:14
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A contestação de uma herança levou uma juíza do Tribunal de Beja a solicitar ao hospital local uma perícia médico-legal psiquiátrica a um homem falecido há dois anos.

A notificação insólita, que continha não só a localização da campa como também o respetivo cemitério - em Beja - foi recebida por Ana Matos Pires, diretora da unidade de psiquiatria daquele hospital, que revelou ao CM ter ficado "surpreendida" com o documento.

"A questão colocada pela magistrada é caricata. Devia ter perguntado se o hospital tinha conhecimento de algum historial clínico da pessoa em causa", referiu ontem ao CM a médica Ana Matos Pires.

O caso ocorreu na segunda semana de janeiro e levou mesmo a psiquiatra a escrever um comentário - entretanto eliminado - na sua página do Facebook: "Opá, opá, opá, esta nunca me tinha acontecido. Um ofício de um tribunal a perguntar-me se será possível ir fazer uma avaliação pericial psiquiátrica a... um morto", escreveu a clínica.

Ana Matos Pires referiu ainda ao CM que está habituada a este tipo de notificações dos tribunais, mas que uma avaliação a um morto "obviamente que não é possível" de executar.

Este caso de herança já se arrasta nos tribunas há quase dois anos. Depois da morte do homem, em 2016, a atribuição do seus bens foi contestada judicialmente no Tribunal de Beja.

Entre os herdeiros há quem pretenda provar que o homem não estava na melhores condições psiquiátricas na altura em que assinou o testamento.
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