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Correio da Manhã

Portugal
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TRIBUNAL REFAZ ACIDENTE

A povoação de Marianaia, Tomar, viveu ontem de manhã uma agitação invulgar, devido à “reconstituição” do acidente que vitimou uma criança de 9 anos e atirou o presidente da Câmara Municipal de Tomar, António Paiva, para o banco dos réus, acusado de homicídio por negligência.
18 de Novembro de 2003 às 00:00
Depois das dúvidas suscitadas pelo depoimento de algumas testemunhas em sede de julgamento, a juíza Cristina Silva convocou os intervenientes no processo para comparecerem ontem de manhã no local do acidente.
À medida que as testemunhas eram ouvidas, a magistrada procedia às respectivas medições para juntar ao processo. E, em caso de dúvida, chegou a entrar no quintal de uma testemunha para avaliar o seu campo de visão em relação ao local do embate. Para facilitar as diligências, a PSP cortou o trânsito numa das faixas.
No final da sessão, e de mais algumas perguntas às testemunhas, os advogados levaram quase duas horas em alegações finais.
O representante da família da criança, Urbano Rei, defendeu que o arguido ia em “excesso de velocidade” e pediu a sua condenação. Oliveira Coelho, advogado da companhia de seguros, alegou que o menino não respeitou as regras de prioridade, enquanto Sá Correia, advogado de defesa, reclamou a inocência do arguido. A sentença é lida dia 28.
TESTEMUNHAS ACUSADAS DE MENTIR
As alegações finais proferidas ontem ficaram marcadas pela suspeição levantada pelos advogados em relação à veracidade dos testemunhos. Como uma das questões centrais do processo andou em torno da visibilidade no local do acidente, o advogado da família da vítima, Urbano Rei, disse não compreender o porquê dos três elementos da PSP terem testemunhado a favor do arguido – dizendo que as ervas impediam a visibilidade –, quando os moradores todos garantiram haver boa visibilidade. A defesa socorreu-se de alegadas contradições entre os depoimentos das testemunhas durante o inquérito e o julgamento, acusando-as de estarem a “mentir descaradamente” ao Tribunal. “Eu não utilizo golpes baixos para entorpecer a acção da justiça”, disse o advogado Sá Correia.
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