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Correio da Manhã

Portugal
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Triplo homicida de Vila Fria que fugiu da prisão julgado por tráfico na cadeia. Usava precárias para comprar droga

Principal arguido é Rui Mesquita Amorim, que em 1995 protagonizou o massacre de Vila Fria, Viana do Castelo.
Lusa 18 de Setembro de 2019 às 11:31
Tribunal
Justiça
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Um condenado por triplo homicídio, rapto e fuga ao sistema prisional está agora a ser julgado no Porto sob a acusação de traficar droga na cadeia de Coimbra, num processo que envolve também outro recluso e duas mulheres.

O principal arguido é Rui Mesquita Amorim, que em 1995 protagonizou o massacre de Vila Fria, Viana do Castelo, matando à facada um tio, uma tia e um sobrinho, e que em abril de 2002 consumou três crimes de rapto simples e um de extorsão agravada, em Portuzelo, no mesmo concelho do Alto Minho.

É também o homem que no dia de Natal de 2001 se evadiu, junto ao hospital de Vila Franca de Xira, no distrito de Lisboa, de uma carrinha celular do Estabelecimento Prisional de Vale de Judeus, onde cumpria uma pena de 20 anos de cadeia.

Em 2017, já na cadeia de Coimbra, passou a beneficiar de saídas precárias e, segundo o processo agora em julgamento no Juízo Central Criminal do Porto, aproveitava essas saídas para comprar droga destinada a tráfico no interior no estabelecimento prisional.

O esquema foi montado, segundo o Ministério Público, com o auxílio das duas mulheres: uma amiga que visitava regularmente o triplo homicida e a mulher do outro recluso, condenado por roubo.

Na primeira audiência de julgamento, na segunda-feira, Rui Mesquita Amorim e outro recluso arguido optaram pelo silêncio, sem descartar a hipótese de vir a falar, disseram à agência Lusa duas fontes ligadas ao processo.

Já as mulheres acusadas no processo prestaram declarações para confirmar, parcialmente, as imputações do Ministério Público que atribui a ambas o papel de "correio" para o interior da cadeia e a uma delas a cedência da sua conta bancária para facilitar e dissimular os pagamentos das drogas pelos consumidores, acrescentaram as fontes.

Enquanto os dois homens arguidos cumprem penas por outros crimes, as duas mulheres estão em prisão preventiva à ordem deste processo, no qual estão em causa tráfico de estupefacientes agravado e branqueamento de capitais.

Rui Mesquita Amorim compraria a droga a um antigo colega de reclusão entretanto libertado e cujo paradeiro é agora desconhecido da Polícia Judiciária (PJ). Trata-se de Fernando Borges, um membro do chamado "Gangue de Valbom", grupo de Gondomar que em 2006 e 2007 assaltou dezenas de ourivesarias e farmácias.

Na próxima sessão do julgamento, agendada para segunda-feira, devem ser ouvidas testemunhas arroladas pelo Ministério Público, nomeadamente inspetores da Polícia Judiciária, adiantou uma das fontes contactadas pela agência Lusa.
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