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Correio da Manhã

Portugal

Tropa faz obra modelo

O aquartelamento que os militares da 1.ª Companhia de Engenharia construíram no Sul do Líbano, onde estiveram durante seis meses ao serviço das Nações Unidas, foi considerado exemplar e agora serve de modelo às forças militares dos outros países.
14 de Junho de 2007 às 00:00
Num terreno virado para o mar mas sem nada, a não ser pedras, os militares portugueses construíram um aquartelamento exemplar
Num terreno virado para o mar mas sem nada, a não ser pedras, os militares portugueses construíram um aquartelamento exemplar FOTO: D.R.
Quando os 140 militares portugueses, comandados pelo tenente-coronel Firme Gaspar, chegaram a Shama, encontraram um terreno com vista para o mar, mas sem qualquer infra-estrutura.
“Na fase inicial não havia nada, a não ser pedras, e foi preciso um trabalho intenso para se construir o aquartelamento”, disse ao CM o comandante da força nacional, frisando que “durante um mês e meio foi sempre segunda-feira”, já que “nunca houve tempo para descansar”.
O resultado final foi compensador, já que os portugueses construíram umas instalações “dignas” e que agora servem de modelo às forças militares dos outros países. “Quando alguém tem dúvidas sobre novos edifícios ou infra-estruturas que seja preciso implantar, o comandante da Unifil diz-lhes para perguntarem aos portugueses como é que se faz”, explicou o tenente-coronel Firme Gaspar.
A rede de esgotos foi muito elogiada, já que os militares portugueses ligaram todas as infra-estruturas a uma fossa séptica, enquanto os estrangeiros se limitaram a fazer fossas herméticas que depois eram despejadas pelos libaneses.
Outro exemplo é a rede de comunicações, que “foi toda enterrada para não haver cabos pelo ar”.
A missão da 1.ª Companhia de Engenharia no Sul do Líbano terminou anteontem com a entrega do estandarte nacional ao comando da Brigada Mecanizada de Santa Margarida, “sem registo de qualquer acidente ou incidente”, frisou o comandante da força, realçando que “em seis meses nem sequer houve um único acidente de viação, num país onde o trânsito é caótico, as estradas estão esburacadas e a única regra é não haver regra nenhuma”.
“Foi uma missão muito desgastante, em que estávamos sempre de serviço”, disse ainda Firme Gaspar.
Para além de construir os aquartelamentos para as forças portuguesa e de outros países que também integram a Unifil, os militares da 1.ª Companhia de Engenharia executaram “missões de apoio à população local”, de que são exemplo a abertura e melhoramento de itinerários, a remoção de escombros na via pública e a construção de um parque para uma escola em Naqoura e da plataforma de um parque infantil em Alma Ash Shab, onde também implantaram um cemitério.
Do ponto de vista do esforço físico, foi talvez a missão mais dura que os militares portugueses enfrentaram além-fronteiras.
DEPOIAMENTOS
CATARINA ALVES, SOLDADO, 24 ANOS
"SENTIA-ME FELIZ NO MEIO DELES"
A soldado Catarina Alves, de Leiria, integrou a 1.ª Companhia de Engenharia e salienta o bom relacionamento com a população local. “Foi a minha primeira experiência no estrangeiro e o que me deixou mais realizada foi o trabalho em prol da população local. Falávamos em francês ou inglês, eram simpáticos e acolhedores, por isso, sentia-me feliz no meio deles”, disse.
FILIPE MONTEIRO, SOLDADO, 25 ANOS
"HAVIA SEMPRE MUITO QUE FAZER"
Durante a missão no Líbano, o soldado Filipe Monteiro, de Ermesinde, emagreceu dez quilos, o que atribui à dureza do trabalho. “Estivemos um mês a dormir em tendas e havia sempre muito que fazer, por isso, foi muito duro em termos físicos. Nos trabalhos de apoio às aldeias, as pessoas serviam-nos chá, perguntavam pelo Figo e pelo Cristiano Ronaldo e traziam enxadas para ajudar”.
MISSÃO SEM FIM
RENDIÇÃO
A 1.ª Companhia de Engenharia, constituída por um efectivo de 140 militares, foi substituída em finais de Maio pela 2.ª Companhia de Engenharia, com 141 militares, que só regressará do Líbano em finais de Novembro.
CONSTRUÇÕES
Os militares portugueses estão sob o comando directo da Unifil e executam trabalhos de apoio geral de engenharia de construções – horizontais e verticais – e de apoio à sobrevivência e à mobilidade das populações.
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