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Correio da Manhã

Portugal
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TUDO É LINDO VISTO DE CIMA

"Primeiro pensei, vou fechar os olhos quando saltar. Quando chegou a altura não pensei em nada, nem hesitei, tudo é lindo visto lá de cima" - foi desta forma que Maria Vicente comentou o seu primeiro salto de pára-quedas, ontem, em Tancos.
28 de Setembro de 2003 às 00:00
Maria Vicente saltou acompanhada de António Lopes
Maria Vicente saltou acompanhada de António Lopes FOTO: Manuel Moreira
E aos 80 anos, a 'avó radical', como agora é conhecida na Marinha Grande, sua terra natal, ao sair ontem do avião entrou directamente para a história do pará-quedismo português, ao ser a pessoa mais idosa a efectuar um salto, segundo assegurou a Federação Portuguesa da Modalidade.
A dez mil pés de altitude (cerca de três quilómetros), a 'avó radical' explicou que chegou a pensar que não iria saltar, "porque a porta do avião não queria abrir". A antiga vidreira viveu então o momento decisivo ao realizar o salto "tanden", que consiste em saltar acompanhada de um instrutor qualificado.
"Foi bom, no início senti muito ar a entrar-me pelo nariz. Depois foi descer lentamente ao mesmo tempo que o instrutor me apontava o rio Tejo e dizia-me para que lado é a Marinha Grande. O mais difícil foi quando estava mesmo perto do chão, senti um aperto no estômago e agora sinto as pernas em falso, parece que deixei lá em cima alguma coisa", acrescentou.
DESAFIO FAMILIAR
O salto de Maria Vicente, realizado na Base Aérea n.º 3, em Tancos (Vila Nova da Barquinha), foi o ponto alto de um dia em cheio para a família Vicente. É que no Cessna 216 em que seguia a avó radical viajaram o seu filho João (61 anos) e o seu neto Vítor Daniel (23 anos) que a 4,5 mil pés de altitude se lançaram de pára-quedas. O sargento pára-quedista que entre 1961 e 1986 efectuou 129 saltos, viu ainda saltar a sua ex-mulher e mãe dos seus filhos, Judite Salvador (54 anos). Depois de o militar ter prometido à mãe que lhe pagava o salto (150 euros), os filhos de Judite, Vítor e Élio, decidiram também concretizar um sonho antigo: saltar de pára-quedas.
TERCEIRO DESAFIO
Maria Vicente explicou que este é o terceiro desafio na sua vida em que surgem aviões. O primeiro ocorreu há 23 anos, quando prometeu ao filho João Carlos que, caso passasse na 4.ª classe, iam os dois viajar de avião. E foram. Mas o dinheiro era pouco e ficaram-se por uma ligação Lisboa/Faro. Mais tarde, a viagem foi a Guiné-Bissau, para ver o neto Élio.
Há um mês, o Vítor Daniel, junto do pai, João, lançou-lhe o terceiro desafio: saltar de pára-quedas. “Disseram-me que eu não tinha coragem e eu até dei um murro na mesa”, disse a ‘avó radical’. À entrada do avião lançou o desafio: “Se calhar ainda vou à Lua”. O neto Paulo Reis respondeu: “Coragem não lhe falta”.
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