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Correio da Manhã

Portugal
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TUDO PELA MARIANA

Os pais da Mariana, uma menina de apenas cinco anos a quem foi diagnosticado um tumor cerebral há cerca de seis meses, garantem estar “dispostos a tudo” para salvar a vida da sua filha.
29 de Junho de 2004 às 00:00
Após três intervenções cirúrgicas sem resultados, o casal acredita que a última hipótese de cura pode estar fora do país e até já puseram a casa à venda – na aldeia de Verim, perto de Braga – para arranjar dinheiro para o tratamento. Pedem 50 mil euros pela modesta habitação, mas o comprador tarda em aparecer. O casal, confrontado com a falta de condições financeiras, apela agora “a todas as ajudas possíveis”.
A mais recente tentativa para reverter a doença foi um tratamento de quimioterapia, a que Mariana se sujeitou durante 65 dias, no Instituto Português de Oncologia (IPO), no Porto. Mas, no final, os pais receberam a notícia que também este método não obtivera os efeitos desejados. O próximo passo são os tratamentos de radioterapia, com início marcado para hoje, mas a família receia que a menina não tenha resistência para aguentar a violência do tratamento.
“Vejo a minha filha a sofrer e não sei que atitude tomar. No IPO, explicaram-me que o facto da Mariana ter rejeitado a quimioterapia não é nada positivo. E agora dizem-me que a radioterapia é mais aconselhável, mas receiam que ela não aguente o tratamento”, contou ao Correio da Manhã, a mãe, Maria de Lurdes Fernandes, de 25 anos.
O tumor cerebral foi diagnosticado em Janeiro passado, no Hospital de S. Marcos, em Braga, depois da pequena Mariana ter dado entrada nas urgências com uma parte do rosto paralisada e sem andar.
“Operaram-na no dia seguinte, para extrair o líquido no cérebro e, desde então, fez mais duas intervenções para retirar o tumor, mas sem qualquer resultado. Os médicos fizeram os possíveis, mas o tumor continua lá e a doença não pára de evoluir”, referiu.
O CM tentou obter alguns esclarecimentos técnicos por parte do médico que operou a menina no Hospital de S. Marcos, Carlos Alegria, mas este escusou-se a comentar o caso, referindo que, por questões éticas, não presta declarações acerca dos seus doentes. Aconselhados por amigos e familiares, os pais, decidiram juntar todos os esforços possíveis para tentar um tratamento fora do país, nomeadamente em Londres.
Porém, Maria de Lurdes está de baixa médica desde Setembro, altura do nascimento do seu segundo filho, de apenas seis meses. Entretanto, a doença de Mariana agravou-se e a mãe viu-se obrigada a continuar com a baixa para acompanhar os sucessivos internamentos e tratamentos da filha.
“O salário do meu marido, que trabalha na construção civil, não chega para as despesas. Pedimos ajuda à família para juntar todo o dinheiro possível e já pusemos a casa à venda. Em última alternativa, sou obrigada a pedir ajuda porque tenho de tomar uma atitude. Não posso deixar que a minha filha continue a sofrer desta maneira. Tenho de lutar.”
OUTROS DADOS
SOLIDARIEDADE
Apesar de não haver nenhuma campanha de solidariedade, quem quiser ajudar a Mariana pode faze-lo ligando para a mãe (963716705) ou depositando um donativo na conta do Montepio Geral, com o NIB 003600089910008152371.
MAIS INFORMAÇÕES
Os pais de Mariana solicitam também o maior número de informação possível sobre casos idênticos aos da filha e pedem detalhes sobre métodos e locais de tratamento fora do país, de maneira a saber para onde podem encaminhar a menina.
SINTOMAS DA DOENÇA
Mariana tem no sorriso a doçura e a inocência próprias de uma criança de cinco anos, mas o sintomas da doença são inevitáveis. Além das fortes dores de cabeça, que abrandaram após a última operação, cansa-se facilmente e tem graves dificuldades de equilíbrio e está a perder a visão.
TRATAR NO ESTRANGEIRO
A lei prevê que um doente possa receber assistência médica no estrangeiro, com todas as despesas pagas pelo Estado, quando não puder receber o tratamento nos hospitais públicos por falta de meios ténicos ou humanos. Sempre que um doente não puder ser tratado em Portugal, o dec.-lei 177/92, de 13 de Agosto, do Ministério da Saúde, prevê que o médico assistente apresente um relatório, confirmado pelo director clínico do hospital e aprovado pela Direcção-Geral dos Hospitais. O prazo de resposta é de 15 dias e, nos casos urgentes, 5 dias. As despesas da assistência médica, alojamento, alimentação e transporte são asseguradas, na classe económica. O relatório médico deve especificar as razões por que o tratamento não pode ser realizado num hospital nacional, o objectivo da deslocação, as instituições estrangeiras onde o doente pode ser tratado ou submetido a intervenção cirúrgica, se necessita de transporte especial e acompanhante. Mas no caso aqui referido, o Estado tem cumprido as suas obrigações. O problema é que os resultados não surgem e a família procura outras soluções.
PORTUGUESES QUE RECORRERAM A ESPECIALISTAS ESTRANGEIROS PARA TRATAR PROBLEMAS DE SAÚDE
DUARTE LIMA
Duarte Lima era líder parlamentar do PSD quando a saúde lhe faltou. Uma leucemia levou-o a Londres para fazer um transplante de medula óssea. Depois de ver a morte por perto passou a encarar a cura como uma segunda vida.
CELESTE CARDONA
Foi ao Brasil numa das suas mais discretas viagens. Escolheu o Hospital Beneficência Portuguesa, em S. Paulo, e ali foi operada a dois aneurismas cerebrais. A actual ministra da Justiça, Celeste Cardona, foi operada em Julho do ano passado.
CARLOS DO CARMO
Em Setembro de 2001, Carlos do Carmo foi operado a um aneurisma na aorta. Seguiram-se mais duas intervenções cirúrgicas. O fadista escolheu o Methodist Hospital, em Houston, nos Estados Unidos. Esteve uns tempos afastado dos palcos.
CARLOS CRUZ
Em Março de 1993, um carcinoma afectou-lhe a corda vocal esquerda. Recuperou após tratamentos em Paris. Dez meses depois, foi operado ao coração. Neste momento, Carlos Cruz, arguido no âmbito da Casa Pia, possui três ‘by-passes’.
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