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Correio da Manhã

Portugal
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Turco preso em Cascais com 1,5 milhões em heroína

O homem e a droga tinham chegado a Portugal há poucos dias. Vieram de comboio desde a Holanda. O cidadão turco e vinte e oito quilos de heroína escondidos numa mala de viagem, tudo indica que para serem entregues e distribuídos em Lisboa.
17 de Maio de 2005 às 00:00
A heroína estava escondida numa mala de viagem que o cidadão turco passeava no centro de Cascais
A heroína estava escondida numa mala de viagem que o cidadão turco passeava no centro de Cascais FOTO: Manuel Moreira
No mercado, e depois de ‘cortada’, a droga iria render 1,5 milhões de euros. A PJ interrompeu o negócio, na sexta-feira, no centro de Cascais.
De acordo com fonte da Direcção Central de Investigação ao Tráfico de Estupefacientes (DCITE), o detido, de 38 anos, agora em prisão preventiva, é apontado como um “elemento preponderante de uma estrutura criminosa responsável pela distribuição e abastecimento de heroína na Península Ibérica”.
A meio da semana, apanhou um comboio em Amesterdão, Holanda, e viajou até Lisboa. A heroína quase pura que trazia na mala, em pequenos tijolos envoltos em plástico castanho, seria suficiente para 336 mil doses. Misturados com produto de corte, os vinte e oito quilos permitiram introduzir na rua cerca de 750 mil doses, cujo valor estaria perto dos 1,5 milhões de euros.
O tráfico de heroína na Europa, apesar de várias mudanças nos últimos anos, em especial no que diz respeito às rotas utilizadas pelas organizações, continua a ser dominado por turcos. “Esta rede transnacional, que sofreu um rude golpe, integra turcos, portugueses e holandeses”, admitiu fonte da PJ.
As investigações que permitiram prender o turco, residente na Holanda, não estão encerradas e novas detenções poderão surgir nos próximos dias: em Portugal ou no estrangeiro. Com esta operação, a que PJ chamou ‘Marginal’, sobe para 93 quilos a heroína apanhada desde Janeiro. Em todo o ano de 2004, a PJ apanhou 55 quilos desta droga.
O FIM DA ROTA DE TRÁFICO DOS BALCÃS
A guerra levada a cabo pelos Estados Unidos no Afeganistão – principal produtor mundial de heroína – teve um resultado perverso. Ao contrário do que seria de esperar a produção de heroína disparou e aquele país tem “centenas de toneladas de droga prontas a ser passadas para a Europa”, afiançou ao CM fonte policial. A situação é temida pelas polícias europeias. É que os controlos realizados sobre a ‘rota dos Balcãs’ – uma faixa passando por países da ex-Jugoslávia por onde a heroína entrava vinda da Turquia – são cada vez menos eficazes.
“Com o fim do bloco soviético e o alargamento da União Europeia, a heroína entra agora na Europa Ocidental através de todos os países de Leste. A ‘rota dos Balcãs’ multiplicou-se por dez”, desabafou. A ‘invasão’ de heroína é “uma realidade que vai acontecer”. Os turcos continuam a ser os principais traficantes, aproveitando o pouco controlo nas fronteiras com os produtores.
QUANTIDADES
AUMENTO
Quase cem quilos de heroína em apenas cinco meses, mostram que a tendência de subida registada em 2004 se mantém. No ano passado, o total de heroína apreendida por todas as forças de segurança foi de 97 quilos, 55 dos quais pela PJ.
AZULEJOS
Chamou-se ‘Gueto’ a operação da PJ que, em Março, culminou com a apreensão de catorze quilos de heroína, disfarçados de azulejos, na Cova da Moura, na Amadora. A droga viajava desde a Holanda e o destino final era Lisboa.
ESCONDIDA
Um dos maiores traficantes de heroína portugueses foi detido, em Fevereiro, em Lisboa. A PJ encontrou 51 quilos de heroína no interior de bidões enterrados em locais ermos, baldios e pinhais em Cascais, Sesimbra e Grândola.
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