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Correio da Manhã

Portugal
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Ultraleve entrou na água a 100 km/h

O ultraleve que se despenhou no mar anteontem a sul da Boca do Inferno, em Cascais, embateu na água a uma velocidade de 40/50 nós, cerca de 100 km/hora. Segundo fonte da Marinha, o piloto e o tripulante que seguiam a bordo da aeronave terão morrido com a violência do embate.
22 de Agosto de 2006 às 00:00
“De acordo com os relatos das testemunhas, o piloto terá feito um ‘looping’ e por isso entrou na água de frente, o que poderá estar relacionado com a baixa altitude a que foi feito e com o vento”, admitiu a fonte.
Os corpos dos dois tripulantes foram resgatados logo pela manhã. Trata-se, ao que o CM apurou, de Nuno Faria e Hélio – ambos na casa dos 30 anos.
Após o resgate dos corpos, a Polícia procedeu ao reboque da estrutura da aeronave, operação concluída ao fim da tarde. Visivelmente destruída na parte frontal – onde embateu na água – a Polícia Marítima (PM) tomou especiais cuidados ao içá-la do mar, “para que a estrutura, leve, não se separasse”, disse ao CM o comandante da PM de Cascais, Caetano Silveira.
Nuno e Hélio eram amigos. Domingo, às 15h00, deslocaram do Aeroporto de Tires para uns momentos de diversão. Foi a sua última viagem.
Nuno, pai de um rapaz, trabalhava numa empresa de aviação. “Já contava com bastantes horas de voo, tinha bastante experiência”, relatou ao CM um amigo das vítimas. “O Hélio trabalhava na área da distribuição. Eram duas pessoas calmas e ponderadas, que gostavam de aproveitar tudo o que a vida tem de bom, mas sempre sem excessos”, acrescentou. Residentes na linha de Cascais, tinham uma outra paixão em comum: as motas.
Pelo que conhece das vítimas, o amigo não acredita que eles tenham morrido na sequência de uma acrobacia. “O Nuno era uma pessoa muito cuidadosa, tanto no trabalho como na vida. Nunca faria nada que pusesse a vida dele e do Hélio em risco”, diz.
Uma equipa do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves já está a investigar as causas do acidente que vitimou Nuno e Hélio.
O ACONTECIMENTO
- O ultraleve despenhou-se na tarde de domingo, a uma milha a sul da Boca do Inferno, em Cascais, sob o olhar dos frequentadores dos restaurantes. Um barco particular deslocou-se ao local, mas apenas encontrou uma mancha de combustível na água. Foi alertada a Polícia Marítima.
- O avião foi retirado das águas cerca das 18h15, em muito mau estado. Encontrava-se a 25 metros de profundidade. A operação de resgate foi feita com muita lentidão devido à estrutura frágil do avião. A aeronave foi colocada numa camioneta, que a levou até à baía de Cascais.
- Visivelmente consternados, familiares das vítimas assistem às operações de resgate. A dor pela morte dos jovens era visível no rosto de cada um. O choque maior surgiu quando os corpos foram trazidos para terra. O transporte foi feito pelos Bombeiros Voluntários de Cascais.
REGRAS DE VOO
O ULTRALEVE
O ultraleve pesa cerca de 450 quilos. Voa a baixas altitudes. Atinge uma velocidade cruzeiro aos 220 km/h, mas pode chegar aos 260 km/h. Tem uma autonomia da ordem dos 900 quilómetros. O único senão é o tempo: não pode voar com um céu nublado nem de noite.
ALUGUER
Para alugar um ultraleve o piloto tem de ter habilitação específica - que não está discriminada no brevet. Por norma, o piloto é da confiança da empresa que aluga a aeronave. Mas, se isso não se verificar, terá de fazer um primeiro voo com um instrutor.
LICENÇA
A formação de pilotos de ultraleves é feita por escolas certificadas pelo Instituto Nacional de Aviação Civil e euroclubes. Os candidatos, maiores de idade, devem possuir a escolaridade obrigatória. A licença é atribuída após exame final e, pelo menos, 13 horas de voo.
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