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Correio da Manhã

Portugal
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UM AMOR TROCADO NA ESCOLA

Ele estudava de noite e ela de dia. O João Miguel “andava nas obras” e quando o mestre não estava a ver ou havia menos trabalho, escapulia-se para ir ver a Isabel Maria à Escola Secundária D. Dinis. agora os horários são mais compatíveis.
13 de Maio de 2003 às 00:00
A história de amor do João Miguel e da Isabel Maria faz lembrar a do “funcionário e da bailarina”, cantada por Chico Buarque: os horários não coincidiam. O funcionário trabalhava das nove às cinco e a bailarina de noite. Um pegava quando o outro largava o serviço. O tema aplica-se ao par de Santo António porque o João estudava à noite e a Isabel de dia.
Mas nem por isso deixavam – o funcionário e a bailarina, ou o João e a Isabel – de se encontrar e, no último caso, a diferença de horário escolar não foi obstáculo ao namoro, tão pouco ao enlace religioso, marcado para o próximo dia 12, por ocasião dos “Casamentos de Santo António”.
O João Miguel e a Isabel eram alunos da Escola D. Dinis, em Chelas, próximo de Marvila, freguesia onde residem, tal como outros nove entre os 32 noivos.
Alguns deles conhecem-se de vista ou frequentaram o mesmo estabelecimento de ensino, pelo que o casamento colectivo será também uma espécie de reunião de antigos alunos.
Há seis anos o João Miguel estudava à noite e trabalhava, na construção civil, durante o dia. Quando podia, escapulia-se e dava “umas saltadas” à escola, para ver a Isabel, que conheceu em Dezembro de 1996, por intermédio de amigos comuns.
No tema de Chico Buarque, o funcionário e a bailarina chegam a acordo: uma destas noites, a dançarina vai dar um “show” só para ele.
A Isabel Maria e o João Miguel – que começaram a namorar no dia de Páscoa, 30 de Março, de 1997 – quando trocaram o primeiro beijo, deixaram os estudos.
Ela ficou com o 11.º ano incompleto, “mas gostava de acabar o 12.º”, e ele com o 9.º incompleto.
O João empregou-se no comércio. Actualmente exerce as funções de 2.º caixeiro. A Isabel é auxiliar de educação e pretende “continuar a trabalhar com crianças”.
‘A Vida não está fácil’
Quando pensa no número de filhos que quer ter, a Isabel vê “um casalinho”, uma imagem partilhada pelo futuro marido.
“Mas só daqui a uns quatro anos. Queremos curtir o nosso casamento primeiro”, concordam, adiantando que, nos primeiros tempos, vão morar com os pais do João. “Até juntar dinheiro para comprar uma ‘casita.”
O casal vinha já há algum tempo a falar sobre a possibilidade de casamento. Mas foi há um ano que disse: “Já chega de namoro. Vamos casar!”, lembra a Isabel. O problema era só um: financeiro.
“A vida não está fácil. Tivemos alguns problemas de dinheiro no ano passado e neste. Por causa disso, até vendemos o carro”, lamenta o João. Assim, não lhes seria possível assumir as despesas do casamento.
Foi quando decidiram candidatar-se à iniciativa “Casamentos de Santo António”, mesmo porque são ambos católicos e este santo é padrinho de casamento da mãe da Isabel.
A ideia de concorrer “foi dos dois”, que não perderam tempo a concretizá-la: o casal foi o segundo a inscrever-se na iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa “Casamentos de Santo António”, que conta com o apoio de diversas marcas.
A mãe do João Miguel foi quem ficou a saber primeiro que os dois tinham sido seleccionados e ficado em sétimo lugar. Pegou no telefone e a notícia correu célere.
Agora a Isabel sonha com o vestido, “simples, com corpete, nada extravagante mas com um véu grandinho”, e disfarça o nervosismo que já começa a sentir ao pensar no próximo dia 12 de Junho, quando são celebrados os casamentos – os religiosos na Sé de Lisboa, os civis no Museu da Cidade, no Campo Grande.
Quando a Isabel olha a cara sardenta do João, nota que ele “está mais calmo” do que ela e repara naquilo de que mais gosta nele: “Os olhos”. O João não fica atrás e elogia-lhe “o sorriso”.
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