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Correio da Manhã

Portugal
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Um gigantesco aplauso silencioso à Virgem

Neuza Santana levanta os dois braços e agita as mãos em movimentos circulares, como se estivesse a ajeitar as pulseiras. De imediato, as duas mil pessoas com deficiências auditivas que se deslocaram em peregrinação ao Santuário de Fátima, percebem que chegou a hora de aplaudir o presidente da celebração. E movimentam também as mãos, num aplauso silencioso.
20 de Junho de 2005 às 00:00
As celebrações eucarísticas foram traduzidas para os surdos por intérpretes de língua gestual
As celebrações eucarísticas foram traduzidas para os surdos por intérpretes de língua gestual FOTO: Francisco Pedro
Ontem, foi possível aos surdos seguir a eucaristia dominical, presidida pelo cardeal Crescenzio Sepe, através de uma intérprete de língua gestual. Mas na maioria dos casos, este tipo de pessoas nem sequer vai à Igreja “porque não consegue perceber nada” do que é dito durante a missa, lamenta Abílio Alves, presidente da Associação de Surdos do Oeste (ASO).
Segundo o responsável, os surdos “também gostam de ir a Fátima” e participar nas celebrações religiosas, só que acabam por ver-se impedidos de o fazer devido à falta de intérpretes que existe em Portugal. Não só para comunicar com os que não ouvem, mas também para os ensinar a ‘falar’ através do gesto.
Neuza Santana leva oito anos de aprendizagem na arte de comunicação gestual. E só ao fim de cinco ficou capaz de fazer traduções em simultâneo, o que revela a dificuldade de formar profissionais nesta área.
Para Arlindo Oliveira, presidente da Federação Portuguesa das Associações de Surdos, o facto de haver poucas pessoas habilitadas para fazer de intérpretes acaba por encarecer também a sua contratação.
“SOIS UM DOM PRECIOSO”
Nas celebrações de ontem na Cova da Iria, além dos surdos e de um grupo de doentes do Instituto Português de Oncologia (IPO), participaram perto de três mil pessoas ligadas à Sociedade Missionária daBoa Nova. A congregação comemora este ano o 75º aniversário e convidou o cardeal Crescenzio Sepe, Prefeito da Congregação Pontifícia para a Evangelização dos Povos, a presidir à sua peregrinação nacional.
“Vivemos um tempo em que assistimos a uma debilitação da consciência missionária”, afirmou o purpurado na homilia, que dedicou quase por inteiro à acção da Boa Nova.
Crescenzio Sepe enalteceu o trabalho desenvolvido pelos missionários da Boa Nova e deixou-lhes uma mensagem de reconhecimento. “Sois um dom precioso para a Igreja em Portugal, e para toda a Igreja, pois encarnais com fidelidade aquela que constitui sua tarefa primordial: a Evangelização”.
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