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Correio da Manhã

Portugal
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Um milhão de pessoas nas missas do Papa

Cerca de um milhão de fiéis é esperado nas três missas que Bento XVI realiza em Portugal, nos dias 11 (Lisboa), 13 (Fátima) e 14 (Porto) de Maio. Num evento que atrai tantas pessoas, a segurança estará ao mais elevado nível de prontidão. As forças de segurança britânicas vão preparar a recepção a Bento XVI em Setembro, acompanhando a visita do Sumo Pontífice a Portugal.
16 de Março de 2010 às 00:30
Altar que vai ficar colocado no Terreiro do Paço terá a forma de uma concha. Bento XVI vai celebrar missas em Lisboa, Fátima e Porto
Altar que vai ficar colocado no Terreiro do Paço terá a forma de uma concha. Bento XVI vai celebrar missas em Lisboa, Fátima e Porto FOTO: Alessia Pierdomenico/Reuters

Na capital, o Terreiro do Paço deverá acolher 150 mil pessoas. Recorde-se que em Novembro de 2008 a praça foi pequena para acolher todos os 120 mil professores que se manifestaram na Baixa. A maior enchente é esperada em Fátima, onde a grandeza do recinto permite a presença de cerca de meio milhão de peregrinos. No último dia da visita a Portugal, a eucaristia será celebrada na avenida dos Aliados. Na zona onde será colocado o altar e as praças circundantes espera-se cerca de 250 mil pessoas. 'Tudo depende da mobilização e do ânimo', afirmou D. Carlos Azevedo.

Quanto à segurança, o coordenador da comissão organizadora sublinhou a grande experiência das Forças de Segurança e do Protocolo de Estado perante estas situações. As autoridades britânicas vão acompanhar a visita do Papa para 'aprenderem com a segurança portuguesa'.

A possibilidade de vir a ser concedida tolerância de ponto durante a visita papal não está a agradar aos patrões. 'Portugal precisa do empenho de todos e não é com absentismo e perdas de dias de trabalho que recuperamos', afirmou António Saraiva, presidente da Confederação da Indústria Portuguesa.

8 MIL CARTAZES DIVULGAM VISITA DO SANTO PADRE

A distribuição dos cartazes que anunciam a vinda de Bento XVI a Portugal, em Maio, já começaram a ser distribuídos pelas paróquias portuguesas. Mais de oito mil cartazes deverão chegar às 4300 paróquias até sexta-feira. Numa primeira edição estarão disponíveis cerca de 5000 exemplares, estando já prevista uma segunda ronda na qual serão impressos mais 3000. D. Carlos Azevedo, coordenador da comissão organizadora, disse que 'a colocação dos cartazes nas entradas das igrejas será uma maneira visual de chamar a atenção para a visita' e um bom pretexto para arrancarem as iniciativas relacionadas com a visita. O cartaz tem a mão direita de Bento XVI em destaque, com letras em forma de cruz.

CARDEAL SEPARA IGREJA E AUTARQUIA

D. José Policarpo, Cardeal-patriarca de Lisboa, esclareceu os motivos de não ter solicitado apoio financeiro à Câmara Municipal de Lisboa para a construção do altar no Terreiro do Paço. 'A César o que é de César, a Deus o que é de Deus. Se eu pedisse isso oficialmente ia sujeitar-me a uma apreciação na Assembleia Municipal, ia pôr o senhor presidente em dificuldades, ia-mos ter com certeza uma discussão desagradável na opinião pública', afirmou à Rádio Renascença, justificando: 'Não tenha ilusões: os media neste momento estão contra a câmara, mas se fosse eu a pedir estariam contra mim'.

Ainda segundo D. José Policarpo, o Patriarcado seguiu a regra de que para os custos das cerimónias litúrgicas em si não se deve pedir o apoio do poder autárquico ou político, como já não o tinha feito em 1982, aquando da visita de João Paulo II a Portugal. Em Lisboa, a cerimónia será realizada em 11 de Maio, no Terreiro do Paço.

SAIBA MAIS

João XXI

foi o único Papa português. Nascido Pedro Julião, mais conhecido como Pedro Hispano, viveu entre 1226 e 1277 e teve um pontificado de oito meses.

2000

ano da última visita de um Papa a Portugal: João Paulo II esteve em Fátima para a beatificar os Pastorinhos, em 12 e 13 de Maio.

Cinco anos

O Cardeal Ratzinger é Papa desde 19 de Abril de 2005. É o 266.º Papa. Nasceu numa aldeia da Baviera, Alemanha, em 16 de Abril de 1927.

DISCURSO DIRECTO

"NÃO ME CHOCA QUE GOVERNO DÊ TOLERÂNCIA": Ana Avoila Coordenadora da Frente Comum sobre eventual tolerância de ponto para a visita do Papa Bento XVI a Portugal

Correio da Manhã – Como vê a possibilidade de o Governo declarar tolerância de ponto nas cidades visitadas pelo Papa – Lisboa e Porto – na sua deslocação a Portugal em Maio próximo?

Ana Avoila – A mim não me choca nada que o Governo dê essa tolerância de ponto para que os funcionários públicos possam ir ver o Papa. Somos um País de gente católica e mesmo os não-católicos gostam de ver o Papa. Também não é a primeira vez que acontece um Governo dar tolerância de ponto para as pessoas poderem ir ver o Papa e o que aconteceu da última vez que um Papa veio a Portugal foi que muitas empresas também dispensaram os seus trabalhadores para que estes o pudessem ir ver.

– Será uma decisão do agrado dos funcionários públicos?

– Eu penso que não é uma decisão que os alegre nem que os entristeça. Neste momento, os trabalhadores do Estado estão mais preocupados com outras questões, e aqueles que querem mesmo ver o Papa têm dias de férias que podem usar para esse fim. Mas, como há muito católicos, essa decisão também não irá deixar ninguém descontente. Será uma decisão que deixará o Governo bem-visto.

– Esta tolerância de ponto não poderá alimentar os argumentos daqueles que consideram que Portugal tem feriados a mais?

– Precisamente. É preciso que isto não sirva de argumento a algum patronato que quer retomar o projecto de eliminar feriados ou colá-los aos fins-de-semana.

– Não se trata de uma banalização da tolerância de ponto?

– Pode ser visto como tal, mas penso que não será uma coisa que tenha um impacto significativo numa altura em que os trabalhadores estão confrontados com uma perda de direitos, como o prolongamento da idade da reforma, o aumento do ritmo de trabalho ou salários mais baixos. Que é essa tolerância comparada com a perda de direitos?

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