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Correio da Manhã

Portugal
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UM QUARTO DAS ESCOLAS CORRE RISCO DE FECHAR

Um quarto das escolas do País do primeiro ciclo do Ensino Básico está a funcionar com menos de 11 alunos. São precisamente 2.177 estabelecimentos (num total de 8.354), número correspondente às escolas que podem vir a encerrar se o Governo se limitar a cumprir a lei de 1998.
4 de Julho de 2002 às 00:00
Os dados são de Junho deste ano e foram compilados pela Federação Nacional dos Professores (Fenprof). De acordo com o levantamento, divulgado ontem em conferência de Imprensa, encontram-se praticamente sem crianças as escolas do Interior Norte e do Centro do País. Os distritos com menor número de estudantes são Bragança, Guarda e Vila Real.

Em Bragança, a situação é de tal modo grave que atinge 71,7 por cento das escolas do primeiro Ciclo do Ensino Básico. Destas, 44,6% é frequentada por uma a cinco crianças.

Mas há estabelecimentos por esse País fora com apenas uma única criança. É o caso da escola Gaia em Belmonte (Castelo Branco); a Trigais, na Covilhã; a Bodas de Baixo e a Mata da Rainha, no Fundão; Vila Touro e Escola da Nave, no Sabugal. Com apenas dois alunos está a funcionar a escola dos Salgueirais, em Celorico da Beira (Guarda), a de Vale do Seixo e a de Vale de Moura, em Trancoso.

O reordenamento da rede escolar implica o fecho ou suspensão de algumas escolas com menos de 11 alunos já no próximo ano lectivo. Esta medida tem vindo a deixar a comunidade educativa em polvorosa levando pais e professores a pedir ao Governo para que estude cada caso isoladamente. O ministro da tutela, porém, já fez saber que não vai fechar estabelecimentos indiscriminadamente e que vai levar em linha de conta as acessibilidades, os transportes e as condições particulares das escolas.

E é este o principal alerta da Fenprof. Segundo o dirigente Francisco Almeida, os professores não têm uma posição radical sobre esta matéria, mas pedem que a transferência das crianças se faça para uma escola nova, em condições de receber mais alunos. Esses estabelecimentos de ensino deveriam ter refeitórios, pavilhões desportivos, campos de jogos, salas de educação musical, expressão plástica, informática, serviços administrativos, equipamentos audiovisuais, biblioteca e mediateca.

Neste contexto, a Fenprof exige a implantação de um Plano Nacional de Emergência para as escolas do 1.º Ciclo do Ensino Básico, plano esse que deve servir para recuperar edifícios e criar condições de higiéne e salubridade.
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