Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
2

Um sarilho chamado UnI

O que é que Luís Arouca e os filhos, Frederico e Mafalda, Rui Verde e o irmão Miguel, Amadeu Lima de Carvalho e a mulher, Luísa, têm em comum? Todos passaram por órgãos gestores da Universidade Independente (UnI) – que pode ver hoje à tarde as portas encerradas por decisão do ministro do Ensino Superior, Mariano Gago – e todos estão afastados da Sides. Dois detidos (Rui Verde e Lima de Carvalho) e um arguido sem poder entrar na UnI (Luís Arouca).
9 de Abril de 2007 às 00:00
A direcção da Sides, empresa que detém a UnI, tem sido palco de muitas entradas e saídas, procedimentos cautelares e acções judiciais de uns contra outros. Pelo meio, alunos e ex-alunos vêem anos de estudo ‘manchados’ pela troca de acusações dos responsáveis e pelas alegadas irregularidades de gestão, que motivam investigações da PJ.
No centro da história está Luís Arouca, o ex-reitor, que fundou a universidade com Lima de Carvalho e Rui Verde, em 1993. A relação de Arouca e Verde vem do tempo em que estavam na Autónoma: Luís era reitor, Rui assistente de Direito. O primeiro saiu por divergências com a direcção, o amigo seguiu-o.
Com Lima de Carvalho fundaram a UnI, que inicialmente funcionava no Poço do Bispo.
Os problemas começaram em 1997, ano em que vários docentes já se queixavam de atrasos nos pagamentos – mas a procura dos cursos, sobretudo o de Ciências da Comunicação, foi mitigando as reclamações.
Em 2005 já há problemas académicos: os professores têm salários em atraso e a direcção justifica-se com a fusão com o Instituto Português de Marketing, no Verão de 2004. Em Novembro de 2005, Lima de Carvalho garante que a UnI foi passada para mãos angolanas, reclamando deter a maioria das acções. Mas em Março de 2006, ele e os angolanos (incluindo o irmão do ministro da Educação) são expulsos por Arouca e Verde da direcção da Sides. Lima de Carvalho recorre à Justiça.
A zanga final deu-se há mês e meio, quando Arouca demite as direcções executiva e académica e acusa Rui Verde de corrupção e gestão danosa. Tudo o mais é história contada. Os alunos, esses, aguardam a decisão de Mariano Gago.
RISCO DE ABANDONO
REITOR EXPLICA-SE
O reitor da UnI, Jorge Roberto, vai hoje explicar aos recursos humanos da Caixa Geral de Depósitos (CGD), onde trabalha há 25 anos, porque aceitou o cargo sem consultar a empresa.
IMCOMPATÍVEIS
Ao que o CM apurou, o conselho de administração da CGD vai considerar “incompatível” a nomeação como reitor e a continuidade nos quadros da instituição bancária. A omissão do percurso profissional e o comunicado da UnI não terão caído bem na CGD.
NOVA ALTERAÇÃO
Apesar de o ministro Mariano Gago ter pedido “normalidade” à UnI, a polémica em torno da possível incompatibilidade do reitor em acumular funções na CGD pode ditar um novo abandono na reitoria. Jorge Roberto poderá ser obrigado a deixar o cargo da UnI ou pôr de lado 25 anos de trabalho na CGD.
Ver comentários