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Correio da Manhã

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“Uma missão em que têm de ser amigos”

A timidez de Júlia Pinheiro, cabo pára-quedista do Exército, tolhe-lhe as palavras. Por monossílabos, fala dos seis meses de missão no Kosovo que tem agora pela frente. "Já lá estive em 2008 e as recordações que guardo da primeira missão em Pristina são as melhores", confessa ao CM, nervosa. "Serei condutora e espero poder ajudar a pacificar a zona", acrescenta a militar, que integra um batalhão de 154 homens e mulheres que ontem de manhã partiu para reforçar a missão da NATO (KFOR) no antigo território sérvio.
8 de Setembro de 2010 às 00:30
A emoção na hora da despedida das famílias marcou ontem a partida dos 154 militares pára-quedistas
A emoção na hora da despedida das famílias marcou ontem a partida dos 154 militares pára-quedistas FOTO: Pedro Rocha

Veterano do Kosovo, onde já efectuou três missões, o major-general Raul Cunha fez ontem questão de se despedir deste grupo de militares. "Esta é uma missão em que têm de ser amigos. Peço-vos, por isso, que representem o vosso país com honra, brio e profissionalismo", apelou o comandante da Brigada de Reacção Rápida, uma das três grandes unidades operacionais do Exército e que coordena a actividade da companhia de pára-quedistas. "Sei que a juventude de alguns militares que vão nestas missões, em especial os que vão para o estrangeiro pela primeira vez, faz com que gastem mais dinheiro do que devem", explica o major-general Raul Cunha.

O cabo Sandro Ferreira é estreante nesta missão. Com 26 anos de idade e sete de vida militar, abandonará em breve os pára-quedistas. "Estou perto de terminar o contrato com o Exército. Quis ganhar experiência", diz. A seu lado, a amparar a ansiedade, está o seu mestre. "Pratico capoeira e este homem é o meu mentor", sublinha.

O contingente de 154 militares que ontem de manhã partiu do aeroporto militar de Figo Maduro vai substituir um grupo de igual número. "Ficaremos 294 militares a patrulhar, mantendo a segurança, além de constituirmos uma reserva táctica da KFOR. "O Kosovo está mais tranquilo, mas ainda se justifica a nossa missão", conclui o tenente-coronel Paulo Abreu, comandante do contingente.

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