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Correio da Manhã

Portugal
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Usam microcâmaras para passar no Código

Candidatos levam sistema de áudio e de vídeo para filmar as perguntas dos exames.
Nelson Rodrigues 10 de Setembro de 2017 às 01:30
ACP do Porto
ACP do Porto
ACP do Porto
ACP do Porto
ACP do Porto
ACP do Porto
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ACP do Porto
O sistema era altamente sofisticado e obrigava a que os candidatos usassem auriculares e microcâmaras, escondidos na roupa. Uma vez na sala, onde se realizavam os exames do Código da Estrada, no ACP/Porto, os candidatos tentavam sentar-se numa posição favorável para que as câmaras filmassem os ecrãs do computador, o que nem sempre era fácil. Fora do edifício, a visionar as imagens, estavam instrutores de condução que davam as respostas certas aos alunos.

Esta megafraude na realização dos exames de Código conta com 131 arguidos. Entre várias escolas de condução do Grande Porto, o processo tem ainda como arguidos um engenheiro mecânico - responsável pelos exames do ACP -, instrutores de condução e alguns examinadores -, cujo objetivo era fechar os olhos durante as provas ou, até, ajeitar a roupa dos candidatos para que o equipamento de som e de imagem funcionasse corretamente. Os outros arguidos são os alunos que queriam garantia de aprovação no exame e aceitavam pagar cinco mil euros. Em causa está um total de 1142 crimes de corrupção e falsidade informática.

O Ministério Público refere que este esquema criminoso, que surgiu em 2012, obteve 620 mil euros de lucro - valor que deve ser pago pelos arguidos como indemnização ao Estado.

O processo vai começar amanhã a ser julgado no Tribunal de S. João Novo, no Porto. Por falta de espaço, as sessões decorrerão no quartel dos Bombeiros de Valadares, Vila Nova de Gaia.
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