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Correio da Manhã

Portugal
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VACINAS DA MENINGITE EM FALTA ATÉ JUNHO

O director-geral da Saúde alerta os médicos para o facto de o laboratório farmacêutico que produz a vacina Meningitec – prescrita para a prevenção da meningite C e a mais vendida em Portugal – poder não estar disponível no mercado nacional até Junho de 2003.
29 de Dezembro de 2002 às 00:00
Em documento a que o CM teve acesso, Pereira Miguel adverte para a possibilidade de a “normalização da situação não esteja regularizada antes do segundo ou terceiro trimestre de 2003, pelo que a Wyeth Lederle Portugal – o laboratório que produz a Meningitec – poderá não estar, lamentavelmente, capaz de disponibilizar qualquer unidade desta vacina durante este período”, atendendo a que se deve “adaptar a produção às necessidades, bem como o facto de um ciclo completo de produção demorar seis a nove meses”.

O director-geral da Saúde admite que este “problema não se cinge somente a Portugal” e lembra aos clínicos a “disponibilidade no mercado de outras duas marcas de vacinas para a prevenção da meningite meningocócica do grupo C, não comercializadas pela Wyeth”.

Não dispondo de estudos de compatibilidade de imunização entre vacinas conjugadas, o laboratório “não pode assumir qualquer recomendação quanto à eventual substituição de uma vacina por outra, em crianças que iniciaram o seu esquema de vacinação com a Meningitec”, lê-se ainda no documento.

Em carta enviada aos médicos, a Wyeth refere que as doses que poderão estar, em princípio, disponíveis vão ser suficientes para permitir a cada criança com idade inferior a 12 meses, que tenha sido anteriormente inoculada com uma ou duas doses daquela vacina, a possibilidade de completar a vacinação, sendo para isso aconselhável que as crianças que ainda não tomaram qualquer dose não o façam na “perspectiva de reservar as existentes para as crianças que a iniciaram”.
Contactada pelo CM, fonte do Ministério da Saúde afirma nada poder fazer, visto ser o laboratório a provir as necessidades do mercado.

O número de pessoas atingidas pela meningite meningocócica tem vindo sempre a aumentar nos últimos anos em Portugal, segundo dados da Direcção-Geral de Saúde (DGS). As últimas estatísticas DGS são de 1999, ano em que se registaram 154 casos, enquanto no ano anterior esse número não ultrapassava os 126 e em 1997 eram de 122 casos.

O grupo etário mais afectado pela bactéria meningococo tem idades que variam entre um e os quatro anos (com um total de 34 meninos e 30 meninas), seguindo-se o grupo das crianças até um ano de vida (34 casos) e dos 15-24 anos (22 casos). A região Norte é a mais atingida (60 casos).
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