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Correio da Manhã

Portugal
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Vaga de criminalidade sobressalta população

A cidade de Coimbra foi atingida na última semana por uma vaga de assaltos. A PSP registou um elevado número de furtos em residências, mas também houve um tiroteio, assaltos à mão armada e com uma seringa. A população revela sentimentos de insegurança.
31 de Março de 2008 às 00:30
Jorge Pinto lamenta a falta de policiamento no Bairro da Relvinha, onde na semana passada houve um tiroteio
Jorge Pinto lamenta a falta de policiamento no Bairro da Relvinha, onde na semana passada houve um tiroteio FOTO: Ricardo Almeida

A criminalidade é tema de conversa. Num dos cafés do Bairro Norton de Matos, no coração de Coimbra, comenta-se: 'Aqui, ultimamente, isto anda muito perigoso. Assaltaram três casas no mesmo prédio e a casa de um senhor que restaura móveis. Sei também de uma situação num outro prédio em que um ladrão escalou uma caleira durante a madrugada para roubar', conta Maria Teresa Soares, 69 anos. Na mesa ao lado, Celeste Rafael, 66 anos, tem outra história para contar: 'Ainda há duas semanas a minha cunhada foi assaltada. Entraram-lhe em casa por uma janela e levaram um computador e um fio de ouro'.

Uns quarteirões à frente, no Bairro da Polícia, Quinta da Boavista, a onda de assaltos também não escapa às conversas. Na semana passada foi assaltada a casa de um agente da PSP. 'Aqui no bairro, que eu saiba, foi a primeira vez, mas isto está muito inseguro, nunca mais deixei as janelas abertas', garante Glória Santos, 53 anos.

A zona da Baixa suscita mais receios à noite e ao fim-de-semana quando o comércio encerra. 'À noite não vou lá porque é muito insegura, nem levanto dinheiro nas caixas multibanco', sublinha Fernando Rafael, 71 anos. Por isso, a instalação de um sistema de videovigilância (ver caixa) é recebida com agrado. 'Acho muito bem. Quem não deve, não teme. Devem vigiar para evitar os assaltos', afirma Glória Santos.

Nestas zonas, muitos pedem o reforço da segurança. 'Não sabemos o que é a polícia aqui. Faz falta que venham cá dar uma volta', diz Jorge Pinto, 75 anos, morador no Bairro da Relvinha, onde, quinta-feira, um tiroteio deixou duas pessoas feridas. 'Não se vê polícia nenhuma, só vejo a Polícia Municipal, mas é a autuar', lamenta Celeste Rafael.

CÂMARAS DE FILMAR SÓ À NOITE

Está prevista a instalação de um sistema de videovigilância na Baixa de Coimbra com o objectivo de aumentar o sentimento de segurança e combater a criminalidade e actos de vandalismo. O projecto, executado pela autarquia, está concluído e contempla 17 câmaras de vídeo, que funcionarão apenas no período nocturno, das 21h00 às 07h00. Colocadas em todas as entradas da Baixa, as câmaras não vão captar som e, por uma questão de privacidade, as imagens recolhidas só alcançarão o rés-do-chão dos edifícios. A proposta deverá ser votada hoje pelo executivo camarário. Se for aceite, será enviada para a PSP para que os dados relacionados com a criminalidade sejam acrescentados ao projecto. O dossiê segue depois para a Comissão Nacional de Protecção de Dados, entidade que tem o poder de aprovar, modificar ou recusar estes sistemas.

PSP REFORÇA MEDIDAS DE PREVENÇÃO

O plano de acção da PSP de Coimbra para 2008, apresentado em Fevereiro, destaca o combate à criminalidade associada à toxicodependência, 'responsável pela esmagadora maioria' dos crimes ocorridos na sua área de intervenção. Segundo o comandante Bastos Leitão, em desenvolvimento está também um programa específico destinado às pessoas que são vítimas de assaltos em casa mais do que uma vez. No que respeita aos assaltos a estabelecimentos, e porque 'os proprietários resistem a acatar as instruções para tornar os espaços mais seguros', estão previstas várias diligências para lhes mostrar as vantagens da instalação de câmaras, alarmes ou reforço das fechaduras. Bastos Leitão afirmou ainda que o sistema de videovigilância na Baixa de Coimbra tem o apoio da PSP mas não é suficiente para resolver todos os problemas.

CRIMINOSOS USAM VÁRIOS MÉTODOS

SERINGA

Uma tabacaria num centro comercial da cidade foi assaltada por um indivíduo empunhando uma seringa com sangue, dizendo que era seropositivo e ameaçando a funcionária. Roubou 250 euros em dinheiro.

DISPAROS

Duas pessoas sofreram ferimentos ligeiros, quinta-feira, na sequência de uma discussão que envolveu agressões e um tiroteio, no Bairro da Relvinha. Os disparos efectuados danificaram uma janela de um apartamento.

ESCALAR

No Bairro da Polícia, foi assaltada a casa de um agente da PSP. Durante a noite, enquanto os proprietários dormiam, os ladrões treparam pela caixa do gás e introduziram-se na habitação furtando uma carteira.

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