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Correio da Manhã

Portugal

Vale e Azevedo num tribunal português quatro anos e nove meses depois

O antigo presidente do Benfica João Vale e Azevedo, presente esta terça-feira no julgamento em que é acusado de peculato e branqueamento de capitais, voltou a um tribunal em Portugal quatro anos e nove meses depois da última presença.
20 de Novembro de 2012 às 15:18
Vale e Azevedo regressa hoje a um tribunal para responder pelas acusações de peculato e branqueamento de capitais
Vale e Azevedo regressa hoje a um tribunal para responder pelas acusações de peculato e branqueamento de capitais FOTO: Duarte Roriz

Foi a 15 de Fevereiro de 2008, no Tribunal Criminal de Guimarães, que Vale e Azevedo sentou-se pela última vez em Portugal no banco dos réus, no processo em que foi absolvido da prática de dois crimes de falsificação de documentos na transferência do futebolista Fernando Meira do Benfica para o Vitória de Guimarães.

O outro arguido no processo, Pimenta Machado, na altura presidente do Vitória de Guimarães, foi condenado a quatro anos e três meses de prisão, com pena suspensa, com o tribunal a dar como provado a apropriação de verbas na transferência, em 2000, em que se movimentou 4,6 milhões de euros.

Quatro meses após ter sido absolvido, Vale e Azevedo radicou-se em Londres, onde foi detido a 8 de Julho de 2008, para cumprimento do primeiro mandado de detenção europeu emitido pela 4.ª Vara do Tribunal, no âmbito do processo Dantas da Cunha, burla em venda de imóvel no Areeiro, em Lisboa.

Extraditado para Portugal desde 12 de Novembro, Vale e Azevedo não deverá prestar declarações em tribunal na audiência de hoje, na 3.ª Vara Criminal de Lisboa, no Campus da Justiça.

Neste processo, é acusado de peculato, branqueamento de capitais e falsificação de documento nas transferências dos futebolistas britânicos Scott Minto e Gary Charles, do brasileiro Amaral e do marroquino Tahar El Khalej.

Na audiência de hoje serão inquiridas três testemunhas, dirigentes na direcção de Vale e Azevedo: José Andrade e Sousa, José Antunes e Mendes Pinto.

Retido em Londres durante quatro anos e meio, com obrigação de permanência na residência, passaporte confiscado e proibição de sair do Reino Unido, a aguardar decisão de mandado de detenção emitido pela 4.ª Vara Criminal, Vale e Azevedo encontra-se no Estabelecimento Prisional da Carregueira, em Belas, Sintra.

O advogado de profissão pediu novamente ao Supremo Tribunal de Justiça a libertação imediata ("habeas corpus"), considerando que já cumpriu "cinco sextos" do cúmulo jurídico, fixado em 11 anos e meio.

O cúmulo jurídico foi estabelecido a 25 de Maio de 2009 no âmbito dos processos Ovchinnikov/Euroárea (seis anos de prisão em cúmulo), Dantas da Cunha (sete anos e seis meses) e Ribafria (cinco anos).

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