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Correio da Manhã

Portugal
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Vale e Azevedo será procurado até 2023

Depois de João Vale e Azevedo desafiar a Justiça portuguesa a ir buscá-lo a Londres, uma vez que não paga "bilhetes de avião para ser preso", a procuradora Manuela Wapp, do Ministério Público da Boa-Hora, lembra que no caso de os tribunais ingleses não o entregarem também não poderá sair da ilha britânica até 2023. É só nessa altura que prescreve a pena de sete anos e meio de cadeia a que está condenado – e os mandados europeu e internacional, a que o CM teve acesso, valem para os próximos 15 anos.
20 de Julho de 2008 às 00:30
João Vale e Azevedo, caso ganhe o caso, fica confinado à vida de lorde em Londres
João Vale e Azevedo, caso ganhe o caso, fica confinado à vida de lorde em Londres FOTO: Cuarte Roriz

Através do advogado José António Barreiros, que a partir de Lisboa continua a representar o foragido, Vale requer a nulidade dos mandados. Justifica-se com o facto de não ter sido notificado do trânsito em julgado da sentença por burla qualificada a Pedro Dantas da Cunha e à Caixa Geral de Depósitos – "o que seria uma impossibilidade prática", segundo fonte judicial, por a decisão ser de 2 de Maio e ele estar em Londres há mais de dois anos".

Por outro lado, o advogado português alega que Vale e Azevedo só poderá voltar à cadeia, se tiver que voltar, quando for feito um cúmulo jurídico com o tempo que já cumpriu noutros processos e com uma eventual futura pena por burla aos corticeiros José Rufino e Cesinando Guerreiro. Pretende o advogado de Vale que os dois anos que este passou em liberdade condicional (de 2004 a 2006) contem para o cúmulo jurídico – mas fonte judicial diz que isso "não faz qualquer sentido".

"Só conta o tempo que cumpriu de prisão, entre 2001 e 2004. Depois disso até chegou a violar a liberdade condicional: vive em Londres há muito mais de dois anos e não o podia fazer".

Um juiz do tribunal de Westminster pronuncia-se na próxima sexta-feira sobre a extradição ou não do condenado para Portugal. E caso não obtenha razão, Vale ainda pode recorrer para o Tribunal Superior de Inglaterra e para a Câmara dos Lordes. Mas se ganhar o processo só pode ficar por Inglaterra até 2023. Mal decida sair daquele país será logo preso.

PORMENORES

PEREGUIDO POLÍTICO

Vale, para não ser preso, diz-se perseguido pela Justiça portuguesa por "motivos políticos".

ADVOGADO NÃO ATENDE

Contactado pelo ‘CM’, o advogado José António Barreiros não atendeu o telemóvel.

 

 

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