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Correio da Manhã

Portugal
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VAMOS AJUDAR MUITOS PORTUGUESES

João Miguel Frazão, Nefrologista. O médico português recebe hoje um prémio da comunidade científica internacional pela descoberta de nova terapia para hemodialisados
15 de Maio de 2004 às 00:00
Correio da Manhã - Como encara o reconhecimento do seu trabalho?
João Miguel Frazão - Estamos todos de parabéns pelo trabalho que temos vindo a desenvolver nesta área. Vamos ajudar muitos portugueses.
- Que tem a destacar neste congresso em Lisboa?
- Destaco os riscos na área das doenças cardiovasculares nos doentes insuficientes renais. Há factores que conduzem ao aumento da calcificação das artérias que aumentam a mortalidade e a morbilidade.
- A que factores se refere?
- Refiro-me aos efeitos secundários dos tratamentos que estes doentes fazem.
- Que efeitos secundários?
- Os elevados níveis de cálcio e fósforo induzidos por alguns tratamentos conduzem às doenças como o enfarte do miocárdio, angina de peito e outras.
- Foi para evitar esses efeitos desenvolveu uma nova terapêutica para os insuficientes renais crónicos?
- Sim, participei com alguns colegas num estudo mundial, que envolveu cerca de mil doentes e foi feito para averiguar a eficácia e segurança do novo tratamento.
- Que novo fármaco é esse?
- É uma molécula, a cinacalcet HCL e deve estar disponível em 2005.
- Em que casos é indicado?
- Este é um fármaco que foi feito para tratar uma complicação da insuficiência renal crónica que é o hipertiroidismo secundário e a doença óssea associada.
- Todos os insuficientes renais crónicos podem beneficiar desse medicamento?
- Não. Só alguns doentes que fazem diálise têm este tipo de doença óssea que pode ser grave e incapacitante. Aumenta a frequência das fracturas ósseas e provoca muitas dores.
- Quantos doentes cá podem usar a terapêutica?
- Três a quatro mil, entre os oito mil hemodialisados.
PERFIL
João Miguel Frazão tem 41 anos, é professor assistente convidado na Faculdade de Medicina do Porto e nefrologista no Hospital S. João. Viveu e trabalhou nos EUA entre 1991 e 1998, onde iniciou as investigações no tratamento da doença renal óssea.
LISBOA RECEBE CONGRESSO
João Miguel Frazão apresenta o trabalho científico sobre este tema no 41.º Congresso da Associação Renal Europeia que decorre pela primeira vez em Portugal, no Centro de Congressos de Lisboa, entre hoje e dia 18. O trabalho científico de João Frazão foi considerado, por um júri independente, como um dos oito melhores trabalhos apresentados de um total 2000, de especialistas portugueses e estrangeiros.
Este congresso conta com a participação de cerca de 8000 especialistas, na sua grande maioria nefrologistas, mas também de outros ramos da ciência, designadamente da biologia molecular.
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