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Correio da Manhã

Portugal
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‘Vampiro’ do Linhó tenta atacar juízes

A audiência tinha começado há poucos minutos, quando Bruno Gaspar, de 27 anos, não conseguiu conter a fúria.
19 de Maio de 2012 às 01:00
VAMPIRO, LINHÓ, CASCAIS, HOMICÍDIO
VAMPIRO, LINHÓ, CASCAIS, HOMICÍDIO FOTO: Ricardo Cabral

Conhecido como ‘Vampiro’ do Linhó – por ter bebido o sangue dos dois reclusos que alegadamente matou em 2006, na cadeia do Linhó – exaltou-se quando o colectivo de juízes pôs em causa a relevância de quatro novos testemunhos no processo. "Se quiser condenar, condene logo. Se há testemunhas são para ser ouvidas. Eu sofri durante seis anos", gritou aos juízes, ontem, no Tribunal de Cascais.

Apesar dos repetidos apelos da advogada para que se acalmasse, o suspeito – que se encontra a cumprir pena por outro homicídio na prisão de Monsanto – teve mesmo de ser agarrado pelos guardas prisionais, depois de bater com a mão na barreira de segurança e de se tentar lançar em direcção do colectivo. Foi expulso da sala, mas regressou uma hora depois.

No processo dos homicídios dos reclusos Hugo Costa e Carlos Silva – barbaramente degolados – há ainda mais dois arguidos: Paulo Cordeiro e Libério Godinha. Ontem, na segunda sessão, o presidente do colectivo de juízes pediu "rapidez" no julgamento, porque o prazo máximo da medida de prisão preventiva de Libério, considerado inimputável por um parecer médico, termina a 7 de Julho.

Foram ouvidos dois inspectores da PJ que investigaram o caso e ainda o psiquiatra da cadeia do Linhó na altura dos factos. Ao médico, Lídia Marques, advogada de Bruno, perguntou qual a razão da medicação maciça que este tomava antes dos crimes e por quem tinha sido prescrita. Não obteve resposta.

Já os inspectores descreveram o cenário de terror que encontraram: "Estou na polícia há alguns anos e nunca vi um corte tão profundo, com tanta dimensão", disse um dos inspectores.

No fim, foi feito um requerimento para que a cadeia do Linhó apure a identidade dos guar-das prisionais que descobriram – dois dias após o último homicídio – toalhas e lençóis manchados de sangue nos esgotos da ala de enfermaria.

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