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Correio da Manhã

Portugal
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Vampiro mata na cadeia

Bruno Gaspar, 21 anos, cumpria pena por homicídio na cadeia do Linhó, nos arredores de Sintra. Pelas “conversas que mantinha na prisão”, há muito que o seu fascínio por rituais satânicos “era do conhecimento de reclusos e guardas”, diz ao CM fonte prisional. Mas nunca o levaram a sério – até que matou dois companheiros de reclusão. Estrangulou-os e simulou que eles se suicidaram. A Polícia Judiciária investigou o caso e descobriu que o homicida bebeu sangue de uma vítima e esfregou-se com o sangue da outra.
26 de Julho de 2006 às 00:00
Vampiro mata na cadeia
Vampiro mata na cadeia FOTO: Ilustração de Ricardo Cabral
A primeira vítima foi Hugo Costa, de 24 anos. Cumpria pena por roubo e homicídio. Em 15 de Junho, data do crime, estava doente e dormia na enfermaria da cadeia. Bruno Filipe Gaspar estrangulou-o e arrastou o corpo para uma casa de banho. O assassino, segundo a Polícia Judiciária, terá contado com a ajuda de quatro reclusos.
Bruno Gaspar, segundo fonte dos serviços prisionais, cortou-lhe uma veia do pescoço para simular o suicídio e não levantar suspeitas – e bebeu sangue da vítima. O corpo de Hugo Costa foi encontrado horas depois pelos guardas e os serviços prisionais abriram um inquérito.
O corpo foi levado ao Instituto de Medicina Legal – e o resultado da autópsia indicou que o recluso morreu por asfixia.
Bruno Gaspar voltou a matar no último dia 3. A vítima foi Carlos Silva, de 41 anos. Também ele estava doente e internado nos serviços clínicos da prisão quando Bruno o matou. O procedimento foi o mesmo: estrangulamento com um pano e o corpo arrastado para dentro de uma casa de banho.
Mas o assassino suspeitava que Carlos Silva era seropositivo – e, por isso, não bebeu o sangue: “esfregou--o pelo corpo todo”, segundo fonte dos serviços prisionais, como mais tarde viria a confessar.
A segunda vítima, em vez de um corte na carótida, tinha os pulsos cortados. O relatório do Instituto de Medicina Legal também não deixou dúvidas: Carlos Silva foi igualmente morto por estrangulamento.
Uma brigada da Secção de Homicídios da Polícia Judiciária, que já averiguava o primeiro crime, acelerou as investigações. Os inspectores da PJ atribuíram as duas mortes ao mesmo autor.
INVESTIGAÇÕES CONTINUAM
As convicções satânicas do homicida, recordadas por guardas prisionais e outros reclusos aos inspectores da PJ, foram essenciais à investigação. E depois de passada toda a prisão a pente fino, os investigadores encontraram o pano que serviu para estrangular as duas vítimas.
Os interrogatórios seguiram-se e o assassino terá confessado a autoria dos crimes.
Mas as investigações da Polícia Judiciária ainda não estão concluídas – e os inspectores querem saber como é que Bruno Filipe Gaspar tinha o acesso facilitado à enfermaria da cadeia.
Bruno foi enviado para a ala de apoio psiquiátrico do Hospital Prisional de Caxias. E os restantes quatro presos, que colaboraram nos crimes, foram igualmente transferidos.
Bruno Gaspar tem a vida marcada pelo crime. A discussão à porta de um bar, em Ponta Delgada, nos Açores, acabou em Maio de 2004 à facada.
Bruno Filipe Corado Gaspar foi condenado por homicídio e cumpria os 14 anos de cadeia no Estabelecimento Prisional do Linhó, nos arredores de Sintra.
VIDA MARCADA PELO CRIME
A troca de palavras numa animada noite de copos acabou em tragédia durante as tradicionais festas de Santo Cristo, em Ponta Delgada, Açores. Bruno Gaspar estava sentado à porta de um bar improvisado, em plena Avenida Marginal, quando a discussão com dois conhecidos o fez puxar de uma navalha, na madrugada de 17 de Maio de 2004.
O primeiro foi esfaqueado até à morte e o segundo passou meses em coma no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, para onde teve de ser transferido. Sobreviveu, mas Bruno, então com 19 anos, foi condenado a 14 anos de prisão – que cumpre no Linhó, Sintra. A sua curta vida está marcada pelo crime – e, depois ter emigrado muito novo para os Estados Unidos, foi repatriado para os Açores pela prática de outros delitos. Na altura da sua condenação, o próprio pai, Joaquim Gaspar, estava preso na Madeira.
SATANISMO
ÍLHAVO
Em Agosto de 1999, António Jorge Santos matou os pais em nome de Satanás. Teve como cúmplice a mulher, Sara. Tó Jó, como era conhecido, era vocalista de uma banda de ‘heavy metal’ chamada ‘Terror Agonizante’. Foi condenado a 25 anos de prisão.
SANTARÉM
A Igreja de Santa Clara foi palco de rituais aparentemente satânicos em Dezembro de 2004. No local, próximo da Escola Secundária Sá da Bandeira, foram descobertos um pato em cerâmica trespassado por uma estaca de madeira e uma ave morta.
ASSOCIAÇÃO
Segundo a Associação Portuguesa de Satanismo, estes casos não estão relacionados com a sua filosofia. O verdadeiro satanista não acredita em deuses nem em demónios. Faz o culto ao Homem e à satisfação dos desejos inatos. Para a Associação, a designação de satanismo para estes actos é ‘difamação’.
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