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Correio da Manhã

Portugal
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Vândalos destroem 31 campas numa noite

Familiares inconsoláveis ao ver urnas abertas e objetos levados por desconhecidos no Barreiro.
Sofia Garcia 3 de Abril de 2019 às 01:30
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Familiares inconsoláveis ao ver urnas abertas e objetos levados por desconhecidos no Barreiro.
Entre os familiares dos defuntos cujas campas foram vandalizadas na madrugada desta terça-feira, no Cemitério Municipal do Lavradio, Barreiro, reina um sentimento de impotência e dor.

"Nem imaginam o que chorei quando vi as campas dos meus pais partidas. Levaram molduras e as mantas que cobriam as campas estavam no chão. Um dos caixões quase aberto. Quem fez isto queria abrir as urnas para tirar as ossadas", diz Leonor Silva.

Ao todo a PSP contabilizou 31 campas e urnas vandalizadas, alguns objetos roubados e umas ossadas profanadas. "Isto é maldade. Parece que estou a reviver a morte dos meus pais e do meu irmão. É uma dor muito grande ver tudo espalhado pelo chão, até ossos dos corpos há pelo chão. No meu caso partiram-me as portas de alumínio, estão arrombadas e não fecham", conta Clarinda Serrano.

Ângelo Lima enterrou a mulher naquele cemitério municipal há três anos. Ontem à tarde ouviu dizer que algumas campas tinham sido vandalizadas. Foi até ao cemitério e para seu espanto a urna da sua familiar não escapou ao vandalismo: "Aquilo está tudo partido, tudo espalhado, fotografias no chão, partidas. É inadmissível. Estas pessoas têm de ser apanhadas."

Ontem, o cemitério esteve fechado enquanto os funcionários da Câmara Municipal do Barreiro faziam o levantamento do número de campas vandalizadas, dos objetos furtados e dos danos materiais.

Ainda assim, dezenas de pessoas reuniram-se no local. "Estou muito chocado, só peço que a polícia encontre os responsáveis", explica Ângelo Lima.

PORMENORES 
Alerta
A primeira comunicação à PSP foi feita às 03h00, por um morador. Mas só quando um funcionário chegou, de manhã, é que se deparou com a destruição e voltou a chamar a PSP.

Famílias
As famílias afetadas garantem que não é a primeira vez que esta situação ocorre naquele cemitério, mas assumem nunca ter visto um número tão elevado de urnas vandalizadas numa só noite.

"Desmazelo"
Alguns familiares queixam-se de "desmazelo" da autarquia em relação àquele cemitério e pedem reforço das medidas de segurança. "Um muro mais alto e barras em ferro", diz Clarinda Serrano.
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