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Correio da Manhã

Portugal
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VARIG FALHA VOO PARA BRASIL

Eram 270 os passageiros da Varig que ainda aguardavam ontem à noite por um avião com destino ao Brasil, depois do Voo 9513, que deveria ter descolado pelas 10h45, ter sido cancelado por um problema de manutenção, segundo informou a representante da companhia aérea brasileira, Márcia Franco.
9 de Agosto de 2004 às 00:00
Inconformados, os passageiros da Varig exigem ser indemnizados
Inconformados, os passageiros da Varig exigem ser indemnizados FOTO: Vitor Mota
A mesma responsável esclareceu durante a tarde que os passageiros iriam partir pelas 23h30, no mesmo avião cuja "manutenção tinha sido, entretanto, desbloqueada". Na reunião que decorreu no hotel Metropolitan, em Lisboa, ficou, no entanto, por esclarecer quem seria o responsável por menos um dias de férias destes turistas que tinham por destino Natal e Porto Seguro.
Pela manhã, depois de entrarem no aparelho, os passageiros aguardaram duas horas à espera da descolagem. A tripulação informou, então, que os passageiros teriam de abandonar o aparelho com a bagagem de mão devido a dificuldades de manutenção.
Na aerogare, o pessoal de terra esclareceu que também a restante bagagem teria de ser retirada. As 270 pessoas foram então convidadas a embarcar em quatro autocarros de forma a serem instalados no hotel Metropolitan. Já no hotel, foi servido o almoço aos passageiros, tendo estes ainda sido distribuídos pelos quartos. Visivelmente inconformados por verem as suas férias no Brasil serem reduzidas num dia, os passageiros não pouparam críticas à companhia aérea brasileira bem como ao operador turístico, Terra Brasil, que no hotel colocou dois colaboradores para prestarem apoio aos passageiros.
Luiz Júnior, um dos funcionários da Terra Brasil esclareceu que "a responsabilidade do atraso era da Varig, devido à ocorrência de um problema técnico no avião". O mesmo responsável precisou que "é raro acontecer" um atraso nos voos da Varig, pelo que classificou os acontecimentos de ontem como um "azar".
Um dos passageiros, António Barbas, chefe de compras de uma unidade hoteleira de Évora, disse ao CM estar desiludido com a prestação da Terra Brasil pois colocou no hotel pessoal que não tinha "capacidade de decisão, nem conhecimento do que se passa".
Igual opinião foi manifestada por Fernando Loureiro, bancário, residente em Lisboa, que disse exigir uma indemnização pelo tempo de espera para partir para o Brasil. No final da reunião, a representante da Varig, Márcia Franco, pediu aos passageiros para ontem estarem presentes à porta do hotel, pelas 21h30, junto com a bagagem para de imediato serem conduzidos para o aeroporto da Portela a fim de partirem no mesmo avião.
Por sua vez, os passageiros exigiram que a representante da Varig assinasse uma folha em que as 270 pessoas não iriam passar a noite nos bancos da aerogare.
ESPERA DE DOIS DIAS PARA FORTALEZA
Os duzentos passageiros do voo regular na TAP Lisboa/Fortaleza, que na sexta-feira foram impedidos de partir devido a uma avaria técnica, descolaram ontem do Aeroporto da Portela, pelas 17h20, segundo informou fonte do gabinete de relações públicas da TAP. Este grupo de passageiros incluía ainda 20 pessoas provenientes de Milão (Itália).
Alguns destes, na última terça-feira, viveram hora e meia de pânico a bordo do Airbus 319 que ficou seriamente danificado após ter entrado numa tempestade de granizo. Depois do susto, acabaram por perder o voo de ligação ao Brasil, pelo que aguardavam há quatro dias para chegarem a Fortaleza. Em declarações à RTP1, um desses passageiros, Fábio Giorgio, disse desconhecer quem lhe pagaria os prejuízos sofridos pelos negócios não concretizados em Itália e no Brasil.
Os passageiros disseram à RTP1 que após um atraso de duas horas, foram deslocados para o interior do aparelho. Ao fim de três horas de espera, os passageiros fizeram forte pressão para que fossem recolocados na aerogare, pedido a que a TAP acedeu. Na impossibilidade de fazer voar os passageiros ainda na sexta-feira, a transportadora decidiu colocar os duzentos passageiros no hotel Marriott. O voo concretizou-se 48 horas depois.
TESTEMUNHOS
FERNANDO LOUREIRO
“Estou indignado porque a tripulação do voo não verificou se todo o equipamento estava em condições antes de nos embarcar para o aparelho. Ao fim de duas horas de espera fomos informados que o avião não podia seguir”.
MOREIRA MARTINHO
“Compreendo que isto são situações que acontecem. O facto de a Varig nos ter deslocado para este hotel, onde almoçámos e no qual nos foram disponibilizados quartos, penso ser o procedimento adequado por uma falha que não é nossa”.
ANTÓNIO BARBAS
“Existe uma grande falta de informação e as próprias pessoas que o operador Terra Brasil colocou junto de nós no hotel não nos sabem responder sobre o que aconteceu, o que se está a passar, e quando é que vamos partir”.
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