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VENCER TENDÊNCIAS

D. José Pedreira, Bispo de Viana do Castelo, define a Quaresma como tempo de alegria pela vitória sobre a escravatura das tendências e apetites.

09 de março de 2003 às 00:00

- Correio da Manhã - Para que serve a Quaresma?

- D. José Pedreira -Os romanos, já nos tempos de início do império, consideravam uma virtude a máxima: despoja-te e sê forte. Não há nada mais belo do que a alegria de uma consciência tranquila. É bonita a sensação de saber que conseguimos dominar e vencer as nossas tendências naturais, que são de índole mais egoísta e contrárias aos ideais cristãos.

É nesse sentido que devemos encarar este tempo quaresmal, de 40 dias de preparação para a Páscoa, de esforço pessoal na procura ou regresso aos grandes ideais cristãos. Isto vale para todos, seja qual for o estado de vida ou a condição social, cultural e económica.

- Como bispo e sacerdote, sente que a sociedade civil dá a devida importância e sabe o que é a Quaresma?

- Ainda há muita confusão sobre o sentido e o significado da Quaresma. Se for bem entendida, a Quaresma cristã é capaz de merecer uma forte atracção por parte até das pessoas fora da nossa religião, sobretudo numa altura em que se nota uma forte procura pelo transcendente.

- Comer carne à sexta-feira, na Quaresma, é pecado?

- A abstinência quaresmal não significa não comer carne, mas sim comer simples, menos ou mais pobre. Tanto pode ser pecado comer carne, como não a comer. O objectivo é contrariar a nossa tendência natural para a satisfação e prazer. É o caso da caridade: quando damos uma esmola, estamos a contrariar a vontade de acumular riqueza.

Também podemos substituir uma telenovela por uma leitura bíblica ou assistir a acto religioso.

- A Quaresma é, necessariamente, tempo de sofrimento e de tristeza, sem alegria?

- Nada disso. Essa é uma ideia que vem do Ramadão islâmico. Mas a nossa Quaresma só pode ser compreendida pela alegria da Páscoa: Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo.

Este tem de ser um tempo de alegria, pela oportunidade de renúncia e despojamento dos apetites terrenos. Este esforço de renovação espiritual não é compatível com sofrimento, nem tristeza. Só faz sentido se for vivido por um coração que se sente cada vez mais alegre pela libertação da escravatura terrena ou corporal.

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