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Correio da Manhã

Portugal
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Vendem ouro falso há mais de 2 anos

O grupo era composto por quatro homens. Tinham 52, 54, 55 e 74 anos, apresentavam-se como comerciantes de ouro e negociavam directamente com fabricantes. Os preços que ofereciam eram aliciantes. Em vez dos 30 mil euros por dez quilos de ouro cobravam apenas 26. Quatro mil euros de lucro que duplicavam quando a venda era de 20 quilos.
12 de Maio de 2010 às 00:30
PJ do Porto apreendeu as amostras de ouro verdadeiro e o cobre com liga dourada
PJ do Porto apreendeu as amostras de ouro verdadeiro e o cobre com liga dourada FOTO: direitos reservados

O esquema funcionava há pelo menos dois anos. Beneficiava de muitos comerciantes não apresentarem queixa, por receio de represálias, e também do facto de as participações estarem registadas em vários órgãos de polícia e em comarcas diferentes, do Porto a Braga.

Anteontem, o grupo preparava--se para fazer mais um negócio em Gondomar. O fabricante era da Póvoa de Lanhoso e já tinha analisado a qualidade do ouro. O grupo mostrara-lhe uma pepita com ouro verdadeiro, o metal era de excelente qualidade, o negócio revelava-se promissor.

O que os burlões não contavam era que a PJ estivesse a par do negócio. E que preparasse um flagrante para apanhar o grupo, depois daqueles terem o cobre coberto de uma liga que lhe conferia a aparência em ouro.

O esquema fraudulento foi desmantelado e a PJ avançou imediatamente para buscas domiciliárias que permitiram apreender as amostras de ouro verdadeiro e o metal dourado, com peso superior a dez quilos.

De entre os detidos, apenas dois são comerciantes, como se faziam passar, outro é aposentado e o último desempregado. Todos têm antecedentes por crimes da mesma natureza e ontem mesmo foram presentes a interrogatório judicial para aplicação das medidas de coacção tidas por adequadas.

OUVIDOS HOJE EM GONDOMAR

Os quatro suspeitos foram ontem levados para o Tribunal de Gondomar para serem ouvidos em primeiro interrogatório judicial, mas o juiz acabou por ordenar que regressassem às prisões anexas à Polícia Judiciária do Porto.

Só hoje é que deverão ser interrogados, altura em que conhecerão as medidas de coacção que lhe são aplicadas. São todos indiciados por burla agravada, dada o valor em causa, e incorrem em penas que prevêem a prisão preventiva até julgamento.

PORMENORES

INVESTIGAÇÃO

O fabricante que ia comprar o cobre não sabia que estava a ser enganado. A PJ já seguia o grupo e apanhou-os.

NÃO SE QUEIXAM

Muitos fabricantes não apresentam queixa para evitar que se saibam as circunstâncias em que compram o ouro.

BRAGA

Em Braga há uma queixa de 2007 que pode envolver um negócio com o mesmo grupo.

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