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Correio da Manhã

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Ventura acusa governo de utilizar presidenciais para desviar atenções do Novo Banco

Líder do Chega acusa Governo de criar um 'fait divers'.
Lusa 14 de Maio de 2020 às 14:35
André Ventura
André Ventura
André Ventura
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André Ventura
André Ventura
O deputado único do Chega, André Ventura, acusou esta quinta-feira o governo de criar um 'fait divers' sobre as eleições presidenciais para desviar as atenções da situação do Novo Banco, lamentando o envolvimento do Presidente.

"Temos um ministro das Finanças e um primeiro-ministro que se meteram numa enorme alhada com a injeção de dinheiro no Novo Banco e a solução que arranjaram para isso foi criar um 'fait divers' com as eleições presidenciais", considerou o deputado, à saída da reunião com epidemiologistas no Infarmed, em Lisboa.

Em causa estão as declarações de António Costa quando, na quarta-feira, fez alusão a uma eventual recandidatura vitoriosa de Marcelo Rebelo de Sousa no final de uma visita de hora e meia à Autoeuropa.

"Foi assim em 2016, no primeiro ano de mandato do Presidente da República, e foi agora no último ano do seu atual mandato. Tenho uma boa data simbólica a propor para fazermos uma terceira visita em conjunto e para partilharmos uma refeição com os colaboradores da Autoeuropa: A terceira data é no primeiro ano do próximo mandato do senhor Presidente da República", declarou António Costa.

Depois de ouvir o primeiro-ministro sugerir que será reeleito, Marcelo Rebelo de Sousa, em seguida, afirmou: "Cá estaremos todos". Questionado sobre uma eventual recandidatura, o PR referiu que "não queria aprofundar essa matéria" neste momento.

O deputado do Chega, que já anunciou a intenção de se candidatar a Presidente da República nas próximas eleições, aproveitou para criticar o seu potencial futuro adversário na corrida a Belém.

"O que me custa é um Presidente que se deixa envolver nesta farsa. Por um lado, diz que só fala de eleições presidenciais, às quais eu sou candidato também, em outubro, e aparentemente estamos em maio e já se pode falar sobre eleições presidenciais porque o governo quer", criticou Ventura.

Para o deputado, o governo lançou o Presidente para uma recandidatura e Marcelo não se demarcou ou afastou, "pelo contrário: aproveitou a jogada para ganhar balanço, pelo menos segundo a imprensa e segundo o que se leu ontem à noite".

Na quarta-feira à noite, e depois de uma reunião entre António Costa e Mário Centeno em São Bento, o primeiro-ministro reafirmou publicamente a sua confiança pessoal e política no ministro de Estado e das Finanças.

De acordo com o comunicado divulgado pelo gabinete de António Costa, na reunião ficaram "esclarecidas as questões relativas à falha de informação atempada ao primeiro-ministro sobre a concretização do empréstimo do Estado ao Fundo de Resolução, que já estava previsto no Orçamento de Estado para 2020, que o Governo propôs e a Assembleia da República aprovou".

Na semana passada, na Assembleia da República, durante o debate quinzenal, António Costa disse à coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, que não haveria transferências para o fundo de resolução, tendo em vista a recapitalização do Novo Banco, até que a auditoria àquela instituição bancária estivesse concluída.

No dia seguinte, sexta-feira, no Porto, António Costa afirmou aos jornalistas que o Ministério das Finanças não o informara de que essa transferência tinha sido efetuada na véspera, o que o levou a pedir desculpas à coordenadora do Bloco de Esquerda pela informação errada que lhe tinha transmitido no debate no parlamento.

Perante este caso, em entrevista à TSF, o ministro de Estado e das Finanças assumiu que houve uma falha de comunicação no Governo.

Já na quarta-feira, numa audição regimental da Comissão de Orçamento e Finanças (COF) do parlamento, Mário Centeno declarou que a transferência de 850 milhões de euros para o Fundo de Resolução destinado à recapitalização do Novo Banco não foi feita à revelia do primeiro-ministro.

Também na quarta-feira, no final de uma visita à Autoeuropa, em Palmela, o Presidente da República considerou que o primeiro-ministro "esteve muito bem" ao remeter nova transferência para o Novo Banco para depois de se conhecerem as conclusões da auditoria que abrange o período 2000-2018.

"Havendo, e bem, uma auditoria cobrindo o período até 2018 - a auditoria que eu tinha pedido há um ano - faz todo o sentido o que disse o senhor primeiro-ministro no parlamento. É que é politicamente diferente o Estado assumir responsabilidades dias antes de se conhecer as conclusões de uma auditoria, ou a auditoria ser concluída dias antes de o Estado assumir responsabilidades", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

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