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Correio da Manhã

Portugal
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VERBAS SEM CONTROLO NO AMADORA-SINTRA

É o descontrolo total do dinheiro dos contribuintes: o ministro da Saúde revelou, ontem, que um relatório da Inspecção Geral das Finanças que chegou ao seu gabinete na sexta-feira refere que o Hospital Amadora-Sintra - a única unidade de gestão privada no país, entregue ao Grupo Mello- deve 75 milhões de euros (15 milhões de contos) ao Estado.
2 de Julho de 2002 às 23:59
Isto depois de, também ontem, a administração daquele hospital ter dado uma conferência de imprensa a anunciar precisamente o contrário, isto é, que o Ministério da Saúde é que lhes deve cerca de 55 milhões de euros (12 milhões de contos).

O presidente do conselho de administração do hospital, Salvador de Mello, disse que a situação será resolvida em tribunal arbitral, mas não afastou a possibilidade de rescisão de contrato. O ministro da Saúde, por seu lado, avisou que vai analisar a situação para tomar depois uma decisão sobre o futuro do Amadora-Sintra e a renovação do contrato.

“Há um enorme diferencial entre o que diz a entidade privada e o relatório da Inspecção-Geral das Finanças. É preciso verificar o que se passa para depois se actuar ”, adia-ntou o ministro. Aliás, o governante referiu ainda que já enviou o relatório para a Inspecção-Geral de Saúde para pedir parecer jurídico e garantiu que alguém terá de ser responsabilizado por este descontrolo.

Descontrolo que, admitiu o ministro, resultou da falta de acompanhamento do Estado ao que se passava. Aliás, o relatório da Inspecção das Finanças responsabiliza todas as administrações-regionais de Saúde pela situação. O ministro da Saúde recordou ainda que quando chegou ao gabinete se deparou com um despacho do seu antecessor que “contraria o conteúdo de um relatório da ARS” que já classificava o contrato com o Amadora-Sintra como ruinoso para o Estado e que levou à demissão da responsável por esta administração.
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