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Correio da Manhã

Portugal
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"Verdadeiros autores vão ficar impunes": caso da decapitada em Leça sem culpados

Tribunal absolveu casal acusado de matar e desmembrar mulher. Cabeça da vítima foi encontrada na praia.
Nelson Rodrigues 7 de Fevereiro de 2020 às 01:30
Natchaya, a vítima
Cabeça foi  encontrada num saco, na praia de Leça da Palmeira
Sangam, de 52 anos, acabou absolvida
Waseem, namorado da arguida, também foi libertado
Natchaya, a vítima
Cabeça foi  encontrada num saco, na praia de Leça da Palmeira
Sangam, de 52 anos, acabou absolvida
Waseem, namorado da arguida, também foi libertado
Natchaya, a vítima
Cabeça foi  encontrada num saco, na praia de Leça da Palmeira
Sangam, de 52 anos, acabou absolvida
Waseem, namorado da arguida, também foi libertado
Muitas dúvidas e poucas certezas. Sem provas de que foram Sangam Sawaiprakhon, de 52 anos, e Waseem Haider, de 32, os responsáveis pela morte e desmembramento de Natchaya Saranyphat - tailandesa cuja cabeça foi encontra a 7 de março do ano passado na praia de Leça da Palmeira -, o tribunal de Matosinhos absolveu-os, esta quinta-feira, de homicídio e profanação de cadáver. Os arguidos estavam em prisão preventiva, mas foram libertados após a leitura do acórdão. O Ministério Público deve recorrer da decisão.

"O coletivo teve muitas dúvidas. Vingou a presunção de inocência dos arguidos. Foi tudo muito incerto. Não há crimes perfeitos, mas este ficou sem solução porque os verdadeiros autores vão ficar impunes. Foi um crime chocante, mas as dúvidas eram insanáveis e inultrapassáveis. Estes arguidos não foram intervenientes nos factos", disse a juíza Susana Pinto.

Durante o julgamento foram muitas as perguntas que ficaram sem resposta. Não se sabe quem cometeu o crime, não se sabe como Natchaya foi morta nem que utensílio foi utilizado para cortar o corpo e desmembrar a cabeça - o Ministério Público elencava apenas algumas possibilidades como um cutelo. Apenas se provou que o corte foi limpo e reto. Outro facto que não se conseguiu provar foi em que dia e em que local a vítima foi brutalmente assassinada e o cadáver desmembrado.

Na acusação, há referência a um período temporal entre 28 de dezembro de 2018, o último dia em que foi vista com vida, e o dia 7 de março do ano passado, altura em que foi encontrada a cabeça por um homem que fazia recolha de lixo no areal, dentro de um saco de plástico sem atilho. Também não se sabe quem levou a cabeça até àquele local. "A Justiça foi até ao limite da lei.

A censura é elevadíssima, mas nunca se demonstrou a culpabilidade dos arguidos", explicou ainda a magistrada.
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